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  • AgendaA Galeria Leme inaugura hoje duas exposições: uma individual e uma coletiva de artistas Venezuelanos.

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    A Galeria Leme tem o prazer de apresentar a exposição Obra Reciente, do artista venezuelano Juan Iribarren. Composta por uma série de fotografias recentes e de pinturas a óleo, o conjunto busca evidenciar o vocabulário abstrato de Iribarren e, ao mesmo tempo, embaçar a distinção evidente entre a pintura e a fotografia.

    Nesta exposição Juan Iribarren dá continuidade à sua investigação sobre a acumulação de estruturas geométricas sobrepostas a campos coloridos de execução gestual, compostos por situações luminosas específicas que ocorrem em sequência ao longo do dia em seu ateliê. O artista percebe estas variações de luz e cor dentro deste mesmo espaço, evidenciando a ação de aspectos naturais do ambiente sobre objetos por ele previamente posicionados.
    Como resultado, o trabalho se apresenta como uma justaposição que parece impossível e contraditória da geometria com a atmosfera (espaço/densidade) e com o luminoso (luz/cor).
    Apesar de possuir a pintura como meio central de sua produção artística, seu trabalho também se desenvolve através da fotografia, criando obras que deslocam as questões da pintura ao confrontá-las com a imediatez inconfundível da lente fotográfica. Nestas fotografias, manipuladas digitalmente, as estruturas geométricas e as qualidades atmosféricas de seu repertório aparecem unidos em uma nova abstração perceptiva.
    Sobre o artista:
    Juan Iribarren (Caracas, 1956). Vive e trabalha em Nova Iorque, EUA.
    Participante da 30ª Bienal de São Paulo (2012), entre suas exposições individuais se destacam: Henrique Faría Fine Art, Nova Iorque, EUA (2011); “Obra Reciente”, Faría + Fábregas, Caracas, Venezuela (2009) e as coletivas: “Nuevos Vínculos”, Seleção de obras da 30ª Bienal de São Paulo, Hacienda La Trinidad Parque Cultural, Caracas, Venezuela (2013) e “Then & Now: Abstraction in Latin American Art, 1950-Present”, Deutsche Bank Gallery, Nova Iorque, EUA (2010).

     

    Coletiva VISIONES CONTEMPORÁNEAS VENEZOLANAS

    A Galeria Leme tem o prazer de apresentar a exposição Visiones Contemporáneas
    Venezolanas, da qual participam três artistas; Christian Vinck, Daniel Medina e Luis Arroyo.
    Estes artistas possuem, como ponto em comum, a releitura da história da arte venezuelana a
    partir do contemporâneo, pois recorrem a certas referências visuais, conceituais e ideológicas
    que remetem ao imaginário plástico da Venezuela.


    Christian Vink é um artista autodidata que, atualmente, se dedica inteiramente à pintura. O
    artista se caracteriza por ser um colecionador de imagens e criador de obras que retratam e
    reinterpretam documentos e temas inspirados por uma variedade infinita de estímulos visuais.
    As três séries de obras selecionadas para esta exposição evidenciam alguns destes impúlsos.
    Na série Armitano, baseda em um grupo de livros de Ernesto Armitano (importante editor de
    cultura italiano), Vinck retrata, de maneira quase monocromática, as capas destes livros,
    desenvolvendo uma iconografia peculiar a partir da memória literária. Da mesma forma, a
    partir do artigo Brinquedos Russos (Juguetes Russos), publicado por Walter Benjamin, que
    teoriza sobre a arte popular russa e a visão de mundo infantil como configurações coletivas, o
    artista pinta fragmentos do ensaio e das imagens que o compõem, refletindo sobre a
    contemplação e o brinquedo como objeto artesanal. Já a obra Laminario Portátil de Mapas
    Tropicales, Vinck traz uma seleção de pinturas sobre mapas de costas do Pacífico e do Caribe
    que, retratados de modo caricatural, constituem uma espécie de carta geográfica infantil.


    Daniel Medina traz para exposição uma proposta intitulada de Solución Habitacional. Trata-se
    de uma obra composta por uma série de módulos, que em sua totalidade formam estruturas
    de apartamentos semelhantes aos utilizados nas soluções habitacionais de Le Corbusier. O
    artista constrói estes módulos com base na alteração da fachada frontal do modelo armável
    do Museu do Louvre, desarticulando os sistemas de representação e difusão de modelos
    sócio-culturais europeus herdados pela América Latina, mais especificamente na década de
    1950.
    Luis Arroyo tem desenvolvido sua prática artística em torno de conceitos tais quais a
    anterioridade ou exterioridade de elementos como o sonoro, a história, o documento e o
    arquivo, as ideologias, a pintura, a doença, a guerra, entre outros. Estes interesses são
    entendidos como pontos de partida para a criação de obras que são em essência resíduos ou
    vestígios daquilo que não pode ser feito ou falado.
    Nesta exposição o artista apresenta três obras. Desaceleración Fantasmática é um conjunto
    de doze capas de livros – vazias e aumentadas – que remetem ao caráter espectral de
    sistemas ideológicos fundamentais no desenvolvimento histórico do século XX.
    Na obra Restauracíon del Aura, da série Libros Exhumados, Arroyo cria, sobre um conjunto de
    quinze livros, variações de composições que partem dos sígnos gráficos usados por Walter
    Benjamin em seus manuscritos, ao mesmo que aludem à pintura abstrata e geométrica
    latinoamericanas. Em Obliteraciones o artista seleciona diferentes compilações de imagens
    de arquivo provenientes da história da arte, da antropologia e do colecionismo para tornar
    vizíveis as suas margens e assim alcançar paisagens culturais abertas. Alguns destes
    repertórios visuais possuem como base subliminar as políticas coloniais inerentes ao
    colecionismo e à museologia.
    Arroyo, através da reestruturação de diferentes tipos de arquivo, se aproxima da arte
    latinoamericana, ao que Vinck reconfigura, a partir da pintura, documentos históricos e
    artísticos, e Medina desarticula os sistemas de representação arquitetônicos. Desta forma, os
    criadores geram pontos de encontro que remetem ao contexto sócio-político e cultural tanto
    da venezuela como do resto do continente.