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  • AgendaA Galeria Leme inaugura hoje exposições de Marcelo Moscheta e Sebastiaan Bremer

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    A Galeria Leme apresenta dois artistas: Marcelo Moscheta e Sebastiaan Bremer.

    MARCELO MOSCHETA | 1.000 km, 10.000 anos
    Curadoria Alexia Tala

    Marcelo Moscheta é um artista viajante que percebe suas viagens como uma maneira de
    levantar elementos para reconstruir cartografias através de lugares que não são dele
    próprios, através da coleta de pequenos elementos presentes na natureza para criar suas
    obras por meio de instalações, fotografias e desenhos. Em seu processo criativo existe um
    grande desejo de retratar seus deslocamentos por espaços geográficos distintos por meio da
    observação e coleta, se assemelhando a um trabalho arqueológico que lhe permite, como
    artista, capturar e repensar o próprio lugar onde esteve.


    O titulo da exposição, 1.000 km, 10.000 anos, alude ao presente e ao passado. Mil quilômetros

    é a distância percorrida pelo artista desde sua chegada ao deserto de Atacama até seu último

    deslocamento naquele território, ao que dez mil anos é o tempo no qual as primeiras

    civilizações Lincantanai começaram a habitar o mesmo deserto, estabelecendo assim uma
    relação espaço-temporal na sua maneira de ver a paisagem. A terra se apresenta para
    Moscheta como a representação do passado, da passagem dos ancestrais, da narração de
    uma história natural que acolhe o homem. Foi a partir de sua residência na Plataforma
    Atacama, idealizada pela curadora Alexia Tala, que nasceram os trabalhos que compõem a
    exposição.
    Como obra principal da mostra, Linha : Tempo : Espaço, que nasce formalmente da sua
    experiência in situ de alinhar pedras sobre o Trópico de Capricórnio, Moscheta apresenta uma
    linha de 15 metros de uma mesma rocha – uma ferramenta paleolítica – replicada 3.000 vezes
    em cerâmica. Cada uma delas foi catalogada com uma chapa de cobre, mineral de maior
    extração no Chile, que registra as coordenadas dos deslocamentos do artista durante o
    período de dez dias em que residiu com base em São Pedro de Atacama. Compõem ainda a
    exposição o desenho Atacama: 28.04-06.05/2012 e Timelapse, um objeto composto pelo
    próprio solo do deserto e que relaciona passado e futuro através das conquistas de
    astronautas e astrônomos.
    Tal como relatado por Patricio Guzmán – documentarista chileno/espanhol – em seu filme
    Nostalgia da Luz, o deserto de Atacama é uma conexão entre passado e futuro: passado
    ancestral em um dos desertos mais secos do mundo, cuja característica permite a
    conservação da história do homem. Da mesma forma, o estudo do céu, em um lugar sem
    umidade, também se ergue como o mais importante lugar do mundo para a observação de
    estrelas e galáxias. Moscheta relaciona ambos os mundos e os enfrenta ao colocá-los
    visualmente em diálogo, tentando analisar a experiência dos modos com os quais se habitou e
    ainda se habita o deserto.

     

    SEBASTIAAN BREMER | WHO’S AFRAID OF RED, YELLOW AND BLUE

    A Galeria Leme apresenta a exposição individual “Who’s Afraid of Red, Yellow and Blue” do
    artista Sebastiaan Bremer. A exposição, caprichosamente intitulada, traz colagens
    fotográficas de pequena escala nas quais Bremer interfere com diferentes tipos de mídia.
    O título da exposição faz referência à pintura homônima de Barnett Newman, ícone da Arte
    Moderna que, em 1986, foi cortada com um estilete e irreparavelmente destruída durante o
    período no qual esteve exposta no Stedelijk Museum, em Amsterdã. Os novos trabalhos de
    Bremer, que literalmente arranham a superfície de mestres modernistas, dialogam com este
    legado de destruição, porém utilizando sua técnica de corte como um meio de adentrar e se
    engajar com as pinturas e fotografias originais. Ao invés de se estabelecerem como crítica, os
    trabalhos herdam as linhas e pinceladas de artistas de épocas anteriores com a intenção de
    criar algo novo, ultrapassando os limites de estilo e tempo.


    Neste novo corpo de trabalhos Bremer utiliza sua técnica característica de pintar e arranhar
    sobre fotografias de sua autoria, mas também agrega novos processos, tanto na imagem
    como em sua maneira de interferir. Colagens em sentido amplo, com o empenho de uma
    maior variedade de ferramentas, mídias e referências artísticas, são agora objetos de seu
    olhar artístico.


    Nestes trabalhos o artista montou, digitalmente, em camadas, imagens de nús e interiores de
    estúdios feitos por Bill Brandt e Brassaï, partes de pinturas de Picasso e Matisse, e suas
    próprias fotografias. Nestas colagens Bremer utilizou caneta, tinta, nanquim e faca, cortando
    através da emulsão enquanto as marcas de desenho e pintura pareciam se espremer para
    dentro das obras. Um nu de Brandt, por exemplo, se integra com as faces de duas mulheres
    pintadas por Picasso; sobreposta com nanquim e cortes de faca, a nova mulher configurada
    exala poder, reminiscente da Deusa Ísis e da Vênus de Willendorf. As marcas feitas por
    Bremer diminuem as fronteiras entre suas diversas fontes de referência, a união de múltiplas
    camadas, estilos e formas de expressão.