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  • AgendaA Galeria Vermelho apresenta hoje duas exposições e uma instalação.

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    A Vermelho apresenta, de 26 de novembro a 20 de dezembro de 2013, a exposição U=RI, de Henrique César e Guilherme Peters [salas 1, 2], e “Arquitetura da Solidão” de Nicolás Bacal [sala 3]. Sobre a fachada da Vermelho, o artista Felipe Salem apresenta a instalação “Para onde os mosquitos vão quando chove”. Na data da abertura das exposições, serão lançados no TIJUANA pôsteres dos artistas Henrique César, Guilherme Peters, e o livro “Tijolo” de João Loureiro.

    Nicolás Bacal

    Nicolás Bacal

    A era moderna surgiu à sombra dos ideais conquistados pela Revolução Francesa. O crescimento das repúblicas e das democracias liberais ao redor do mundo, o desenvolvimento das ideologias modernas, das ciências e das artes, a invenção da guerra total, e, no limite, o homem como personagem central nesse cenário tiveram o seu nascimento durante a revolução.

    No campo da arte, muitos artistas se dedicam, nos dias de hoje, à pesquisa acerca dos desdobramentos do modernismo. Há ainda os que preferem investigar as raízes filosóficas, éticas, estéticas e políticas que conduziram, ainda no século XVI, ao surgimento da era moderna e ao pleno estabelecimento e expansão dos ideais liberais em todos os âmbitos da cultura ocidental até os dias de hoje.

    Tal procedimento investigatório é evidente na exposição U=RI proposta pelos jovens artistas Guilherme Peters e Henrique César, que conta com projeto para fachada de Felipe Salem.

    O título da exposição faz referência à fórmula usada na física para medição da tensão elétrica [voltagem] entre dois pontos, e, no caso dessa exposição, revela vários dos procedimentos exercidos pelos artistas na conceitualização, elaboração e materialização de suas obras.

    Isso ocorre, na forma como os três artistas optam por representar o corpo humano.

    No caso da série de autorretratos “Enxertos”, “Antenas” e “Terra”, de Henrique César, o homem, suas necessidades físicas, curiosidades, originalidade e domínio sobre as forças da natureza é o centro da representação, e, portanto, do mundo, aparecendo turbinado por artificialismos técnicos sugeridos por antenas, num misto entre homem e máquina.

    No caso de Guilherme Peters, a repetição funciona como ferramenta para evidenciar a eterna busca do homem pela superação dos limites físicos e intelectuais do corpo. Na performance “Estudante” [2012], que Peters realizará durante A mostra, a repetição ad infinitum de um único movimento, aponta, segundo o próprio artista, para a idéia de fracasso eminente a todo processo de conhecimento. Na performance, o artista tenta repetidas vezes finalizar um desenho de observação que, entretanto, depende da ação física de suspender, por meio de um sistema de roldanas e cabos, conectados como próteses ao seu corpo, livros relacionados à historia da arte.

    Felipe Salem, por sua vez, instalou sobre a fachada da Vermelho uma escada que poderá ser escalada pelo observador sem medo de altura. Do topo da escada – aproximadamente 5 metros de altura do chão -, é possível visualizar por meio de uma perfuração na parede, o interior da sala 2, no piso superior da galeria. O observador intrépido que ousar escalar os 5 metros poderá não apenas ter uma perspectiva única de observação da mostra, e daqueles que por lá se deslocam, mas seu esforço físico será recompensado com um copo d água, acessível por meio de um canudo instalado por Salem no fim da escada.

    Base de toda economia liberal, o trabalho surge, na era moderna, como energia propulsora que embasa todos as transformações necessárias para o pleno estabelecimento do moderno. Em “Para onde os mosquitos vão quando chove” fica clara a analogia criado por Salem com o conceito positivista de trabalho como uma série de esforços despendidos pelo homem com o objetivo de atingir uma meta.

    Em 2010, Guilherme Peters encarnou um dos principais personagens da história moderna no vídeo “Robespierre e a tentativa de retomar a revolução”. Na instalação, o artista tece um comentário sobre da origem do movimento republicano, que aponta para a impossibilidade da utopia revolucionária prosperar num mundo em que tarefas simples e repetitivas provocam “vertigem”.

    Em U=RI, o artista dá continuidade a essa pesquisa apresentando um conjunto de trabalhos diretamente relacionados ao tema, como a instalação “Retrato de Robespierre”, na qual uma imagem do revolucionário francês é estampada por meio de um processo de oxidação ininterrupto, que transformará a imagem.

    Processo químico semelhante é utilizado por Peters nas instalações “Autodestruição dos direitos humanos”, “Terra Santa” e “Máquina para evocar o espírito de Joseph Beuys através de sua imagem”. Nas duas primeiras obras, o processo de oxidação das placas de ferro é constante e acarretará a completa transformação da imagem do século XVIII da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, e, na segunda, de uma passagem retirada do Torá que remete à terra prometida, ou, nos dias de hoje, à Palestina. Já em “Máquina para evocar o espírito de Joseph Beuys através de sua imagem”, que faz referencia à performance criada por Peters, em 2009, o retrato de Beuys, ao lado de um do próprio artista foram estampados sobre uma placa de cobre [Beuys] e outra de ferro [Peters]. Submersos em um aquário, as placas sofrerão um processo de eletrólise, que fará com que o retrato de Peters, estampado sobre placa de ferro, incorpore partículas de cobre expelidas da placa Beuys.

    O obscurantismo que a era moderna tentou combater por meio do conhecimento cientifico, aparece na serie “Catacumbas” de Henrique César. Nos desenhos, o artista apresenta imagens de catacumbas subterrâneas localizadas nas cidades de São Paulo e Paris, ao lado do vídeo “Endoscopia”, no qual uma câmera endoscópica escrutina o interior de um esqueleto, alem do poliptico “Radiografia de Parede”. Nesse último, César apresenta o que há sob o reboco de paredes, revelando seu interesse cientifico acerca daquilo que está sob as calçada, sob a pele ou mesmo sob a fachada dos muros.

    Procedimento de escrutino similar aparece no vídeo “Tentativa de aspirar o grande labirinto”, no qual Peters criou, por meio de ferramentas de edição 3D, um passeio virtual dentro de um dos “Metasquemas” de Helio Oiticica. Na obra, Peters se apropria ainda do texto “Brasil Diarréia”, escrito por Oiticica em 1970, que aponta para a diluição dos elementos construtivos brasileiros.

    A trabalhos como “Catacumbas”, “Endoscopia” e “Políptico Radiografia de Parede”, César contrapõe o seu “Tratado Anagógico”. O desenho com 1,80 m. de altura, similar a uma formula química gigante, pretende aferir a ferramentas técnicas cujo papel é bastante claro e especifico no campo da ciência, significações místicas e obscurantistas.

    Se por um lado César escolhe o termo tratado para criticar a contra corrente que insiste em colocar o conhecimento cientifico em xeque, Peters prefere o formato de diagramas, esquemas, gráficos e circuitos, que, na historia do conhecimento, auxiliaram o homem a organizar o conhecimento e asseguraram a base para a compreensão futura de suas aquisições, para abordar questões subjetivas. É o que ocorre em “Projeto para um grande resistor” e “Projeto para grande carburador”. No primeiro, Peters utilizou paginas do Livro Vermelho de Mao Tsé-Tung como papel de fundo para um grande desenho que imita um circuito elétrico, e, no segundo, o desenho para o projeto de um grande carburador sobrepõe notas sobre a Revolução Francesa.

    Embora pertença à mesma geração de César, Peters, e Salem, Nicolas Bacal [28] nasceu, vive e trabalha em Buenos Aires. “Arquitetura da solidão”, sua primeira individual na Vermelho, parece ter sido elaborada em perfeita sintonia com a idéia de acerto e de fracasso que permeia U=RI, com a qual divide o espaço da galeria.

    A serie de xilogravuras “Arquitetura da Solidão”, que dá titulo a exposição, é uma intervenção sobre as páginas do atlas “The Cambridge Star”, composta por comentários e anotações como um bloco de notas sobre as imagens da Via Láctea. O resultado dessa combinação é esculpido sobre placas de compensado e estampadas em papel offset com tinta na cor cyan manualmente. Nesse caso, os veios da madeira e a dimensão original da placa de compensado constituem uma terceira interferência sobre a imagem original. O resultado são impressões de 180 x 250 cm, de todo o céu possível de ser visto a partir da Terra, onde o artista agrega o erro, a falha e a imprecisão.

    Citado e recitado em contextos e circunstancia distintas, no âmbito das artes visuais, da arquitetura, da astronomia, da ética, da política e da economia, a herança do Modernismo continua a representar um dos temas principais na pauta da arte atual. A confirmação do seu fracasso é evidente, mas, como sugerido por Bacal, César, Peters e Salem, é na aceitação do fracasso dos ideais modernistas que reside o espaço para a ressignificação e subversão do terreno para o futuro.

    Nicolás Bacal – Exposições Individuais: La Gravidad de mi orbita alrededor tuyo, Centro Cultural Rector Ricard Rojas, Buenos Aires, Argentina [2013]; PSR B1718-19, Galeria Alberto Sendros, Buenos Aires, Argentina [2012]; LOLDESUWTF, en colaboración con Carlos Huffmann y Martín Bernstein, Galería Mite, Buenos Aires, Argentina [2011]; L’infini avec toi, JTM Art Gallery, Paris, França [2009]. Seleção de exposições coletivas: Se o tempo for favorável, 9ª Bienal do Mercosul, Porto Alegre, Brasil [2013]; When Attitudes Became Form Become Attitudes, CCA Wattis Institute for Contemporary Art, San Francisco, EUA [2012]; Untitled (12ª Bienal de Istambul), Istambul, Turquia [2011]; Premio Salón Nacional de las arte, Fotografía, Palais de Glace, Buenos Aires, Argentina [2010].

    Henrique César – Seleção de exposições coletivas: Red Bull House of Art, Red Bull Station, São Paulo, Brasil [2013]; 44a Anual de Artes, Fundação Armando Alvares Penteado [FAAP], São Paulo, Brasil [2013]; É preciso confrontar as imagens vagas com gestos claros, Oficina Cultural Oswald de Andrade, São Paulo, Brasil [2012]; Wabi-Sabi, Galeria Mendes Wood, São Paulo, Brasil [2011]; EX-IT (Exposição Itinerante), Espira La Espora, Museo de Arte de El Salvador [MARTE], San Salvador, El Salvador; Alianza Francesa, Managua, Nicaragua; Centro Cultural de España, Guatemala City, Guatemala; Centro Cultural de España, Tegucigalpa, Honduras; Institute of Mexico in San Jose, Costa Rica [2010].

    Guilherme Peters – Exposições Individuais: Palácio da Eternidade e a Valsa dos Esquecidos, Palácio das Artes, Belo Horizonte, MG, Brasil [2011]. Seleção de exposições coletivas: Verbo 2013: mostra de performance arte [9ª edição], Galeria Vermelho, São Paulo, Brazil [2013]; 1a Bienal de Montevideo: El Gran Sur, Fundacion Bienal de Montevideo, Montevideo, Uruguai [2012]; Panoramas do Sul, 17° Festival Internacional de Arte Contemporânea Videobrasil, SESC Belenzinho, São Paulo, SP,Brasil [2011]; 8ª Bienal do Mercosul: Ensaios de Geopoéticas, Porto Alegre, Brasil [2011]; Experiência Hélio Oiticica, Itaú Cultural, São Paulo,Brasil [2010].

    EXPOSIÇÕES: “U=RI” de Henrique César e Guilherme Peters [salas 1, 2], “Para onde os mosquitos vão quando chove” de Felipe Salem [fachada], “Arquitetura da Solidão” de Nicolás Bacal [sala 3]
    LANÇAMENTO: “Tijolo” de João Loureiro [TIJUANA]