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  • AgendaAmanhã último dia para conferir AVAF na Casa Triângulo

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    A Casa Triângulo apresenta a terceira mostra individual de assume vivid astro focus na
    galeria, intitulada alisabel viril apagão fenomenal.


    Segue abaixo um fluxo de pensamentos do artista sobre a exposição:


    “Essa exposição traz um discurso inspirado no desenvolvimento imobiliário brutal e crescente na cidade de
    São Paulo. As políticas atuais de verticalização da cidade (em vez da sua expansão ad infinitum) têm sido
    implementadas sem cuidados mínimos ligados à infra-estrutura dos bairros – edifícios de 30 andares são
    erguidos em áreas sem transporte de massa próximo, sem cuidados com os efeitos no trânsito local, sem
    criação de mais áreas verdes etc. E a cidade explode. Não sei se essa expo é uma homenagem à cidade ou
    um estatuto de ódio aos seus problemas que nunca se resolvem e a cada ano ficam mais infernais.
    Uma das peças centrais que exemplificam esses sentimentos é a escultura Big Ben – uma homenagem a um
    estabelecimento homônimo encontrado no “Baixo” Augusta – uma área que possivelmente perderá suas
    características atuais muito em breve. Conhecida pelos locais de diversão dos mais variados tipos
    (estabelecimentos de strip-tease, boites, puteiros etc.) temos visto vários de seus prédios demolidos e dando
    lugar a mega torres, condomínios fechados, de arquitetura de gosto e qualidades extremamente duvidosos.
    As grandes corporações e incorporadoras sequestraram a nossa cidade. O Baixo Augusta como ainda é
    conhecido hoje é uma área de integração social e urbana, mesmo que hedonista, é a representação de uma
    identidade específica de São Paulo. As mega torres ameaçam dizimar essa característica.
    O Big Ben é o nome de um lugar de strip tease no Baixo Augusta, abaixo da Caio Prado. Ele é o único imóvel
    de pé no bloco onde se encontra – todos os outros imóveis deste bloco foram demolidos e darão lugar a um
    desses condomínios estandartizados. Estamos recriando na nossa exposição na Casa Triângulo uma versão
    mini da entrada deste estabelecimento, uma homenagem à sua resistência frente à exploração imobiliária
    selvagem. O tamanho diminuto confere um approach lúdico ao trabalho, uma espécie de altar/ode aquele
    estabelecimento.


    No primeiro andar da galeria vamos mostrar três outros trabalhos ligados a esse tema.
    O primeiro grupo é o que estamos chamando de TRANSGEOMETRICAS. Há anos usamos a imagem da
    travesti/transexual como símbolo da mudança, ou o medo dela. O conceito “trans” como desafiador do status
    quo e também como uma espécie de cavaleiras do apocalypse. Para as nossas peças Transgeométricas
    criamos pedaços de corpos com carácter surrealista nos quais muitas vezes bocas saem de seios com olhos,
    por exemplo. Unimos esses pedaços de corpos a elementos geométricos vários e criamos assim figuras meio
    hiper geométricas meio travas supra sexuais. Essas peças remetem a um corpo futurista híbrido de geometria
    e travesti. As transgeometricas são na verdade uma homenagem à identidade (histórica) de São Paulo. As
    Travas são obviamente relacionadas ao que falei acima com relação ao Baixo Augusta e as partes
    geométricas são uma homenagem à tradição construtivista dessa cidade. A geometria também remete à
    paisagem urbana de São Paulo. Outras inspirações para esses elementos geométricos vêm do construtivismo
    russo, do movimento de stijl e da arquitetura de Théo Van Doesburg. Todos eles queriam dar novo sentido e
    novas perspectivas à arte, arquitetura, questionando authorship e trazendo e expandindo ideias relacionadas
    à vida coletiva.

    O segundo grupo de trabalho são o que temos chamado de mesas calçada. este projeto é uma colaboração
    com nosso amigo Yusi Etiman, artista turco radicado em Berlim e um entusiasta da cidade de São Paulo. Yusi
    documentou nas suas vindas a São Paulo o mismatch espontâneo dos ladrilhos hidráulicos com a imagem do
    estado de São Paulo, formando outras combinações geométricas bem diferentes da original. A calçada de
    São Paulo remete à clássica calçada do Rio de Janeiro e carrega em sua concepção a vontade de se
    organizar o espaço urbano. A prefeitura da cidade não se responsabiliza pela calçada da cidade e deixa aos
    donos dos estabalecimentos a função de reparo das calçadas. E isso acaba provocando
    esses mismatches espontâneos, uma nova imagem de São Paulo. Com isso em mente, transformaremos
    várias imagens/documentação desses mismatches em mesas de diferentes alturas e diferentes tamanhos.
    Essas mesas serão empilhadas umas em cima das outras misturando os designs ainda mais e criarão novas
    imagens.



    O terceiro elemento é uma pintura de parede inspirada nos alfabetos usados pelos pixadores de São Paulo –
    um forte símbolo de revolta urbana para nós, um símbolo de violência contra a própria violência desta cidade.
    Nossa ideia é “pixar” as paredes da galeria usando palavras (muitas vezes estrangeiras) usadas nos anúncios
    dos empreendimentos imobiliários novos do tipo: FEEL, THINK, SAO PAULO/LONDON, SP-NY, ART,
    JARDINS, CONCEPT, PASSIONE, NEW AGE, PRIVILEGIO, NEAR, SOFISTICAÇÃO.”

    Eli Sudbrack