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    voltar para a agenda24/7/15 | sexta-feira

    Portal de Arte Moderna – “Amazônia Ocupada” do fotógrafo João Paulo Farkas

     

    EXPOSIÇÃO “AMAZÔNIA OCUPADA”, DE JOÃO PAULO FARKAS, ENTRA EM CARTAZ NO SESC BOM RETIRO

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    Fotógrafo apresenta uma das vertentes mais importantes do seu trabalho em mostra com 75 fotografias registradas entre 1984 e 1993

     

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    Moça. Foto: João Paulo Farkas

     

     

    A Amazônia não é rica apenas em biodiversidade, mas também em histórias e conflitos que marcam o imaginário e o noticiário brasileiro. Entre 1984 e 1993, as lentes do fotógrafo João Paulo Farkas registram a região em nove viagens cujo resultado foram 12 mil fotos. 75 delas compõem a exposição “Amazônia Ocupada”, no Sesc Bom Retiro, em cartaz a partir de 24 de julho.

     

    A maioria das imagens da exposição nunca foram expostas antes, outras foram publicadas em veículos específicos na época em que foram feitas. Segundo o curador Paulo Herkenhoff, elas transcendem o jornalismo e passam a ser históricas.

     

    Seguindo a tradição do ensaio fotográfico, muito utilizada por Farkas, a mostra é um relato a respeito da ocupação do território amazônico. “Escolhi as imagens que me pareciam melhor contar aquela grande história da ocupação da Amazônia e passei a mostrar para alguns fotógrafos amigos que eu respeito como o Edu Simões, a Claudia Andujar e o Milton Guran. Mostrei também a alguns curadores como o Thyago Nogueira, a Solange Farkas, o Paulo Herkenhoff e o Marcelo Guarnieri, além da Juliana Braga e Juliana Okuda, do Sesc. A cada conversa, algumas fotos iam ganhando relevância, outras saíam da seleção e novas eram incorporadas. Até que finalmente o Paulo Herkenhoff, curador da exposição deu forma final à mostra”, conta João Paulo.

     

    “Vale lembrar também que esta exposição homenageia a memória do George Love, um grande fotógrafo radicado no Brasil que me ajudou muito no começo de minha formação e que me contou bastante sobre seu trabalho na Amazônia”, acrescenta.

    As incursões que deram origem à “Amazônia Ocupada” começaram graças a um convite de alguns garimpeiros de ouro e cassiterita, que queriam mostrar um pouco da realidade vivida por eles. Os trabalhadores abriram os garimpos fechados para serem fotografados e facilitaram o acesso logístico, sem o qual é quase impossível trabalhar na região. Ao observar a realidade local, a pesquisa continuou e várias frentes de ocupação foram visitadas.

    Além das imagens, a exposição tem ainda um vídeo com depoimentos dos fotógrafos Pedro Martinelli, Claudia Andajur, Edu Simões, e do próprio João Paulo Farkas. Todos eles registraram a Amazônia e suas fotografias estão conectadas por influência estética ou relações pessoais. Nele, os profissionais comparam suas as técnicas e linguagem e criam um diálogo entre os trabalhos. O jornalista Ricardo Lessa – que acompanhou Farkas na maior parte das viagens e é um grande conhecedor da Amazônia – e a antropóloga e historiadora Lilia Schwarcz – cujo trabalho é muito ligado ao registro fotográfico – também contribuem com depoimentos.

     

    As fotos que fazem parte da mostra “Amazônia Ocupada” são uma das vertentes mais importantes do trabalho de João Paulo Farkas, tanto pelo tempo consumido, quanto pelo volume de imagens, além do próprio assunto. “Me sinto muito bem de poder finalmente tirar estas fotografias da gaveta e expô-las ao público. Devo isto àqueles que me receberam e me ajudaram a fazer estas imagens e compartilharam comigo suas vidas e suas histórias. Mostrar isto me permite ir em frente, fazer novos projetos, como o do Pantanal”, afirma João Paulo, que a partir do segundo semestre de 2015 terá dezesseis de suas fotografias integradas ao acervo do Maison Européenne de la Photographie.

     

    Segundo o fotógrafo, as expedições à Amazônia lhe ensinaram que a realidade é muito mais complexa e frágil do que se imagina. “Aprendi que a aventura humana é sempre rica em histórias e é preciso dar voz para aqueles que fazem a história todos os dias e não apenas aos grandes fatos e grandes personagens. O brasileiro anônimo nos confins da Amazônia tem muito a nos contar sobre os destinos da região”, explica.

     

     

    AMAZÔNIA E FOTOGRAFIA

     

    Ainda criança, João Paulo Farkas esteve na Amazônia com a família. “Aquilo tudo me impressionou muito, desde as feiras e os mercados, com suas frutas, peixes, farinhas, tucupis, até o rosto das pessoas com mistura de sangue indígena. As ruas de Belém com suas mangueiras centenárias e particularmente uma visão aérea num voo entre Manaus e Belém, em que víamos de cima aquele rio imenso com seus meandros e igarapés penetrando o tapete verde da mata Amazônica, como se fosse um atlas escolar ao vivo. Aquela imagem nunca me abandonou”, declara.

     

    Depois disso, João Paulo foi impactado pelas fotos de revistas como Manchete, National Geographic e finalmente pelos livros de George Love e Claudia Andujar, impressos pela Gráfica Praxis no final da década de 70, que lhe mostraram uma maneira diferente de fotografar a região. “Também tem um gosto muito especial para mim o fato de que a Amazônia estava no radar do fotográfico e cinematográfico Thomaz Farkas, meu pai, a quem eu devo boa parte de minha formação humanística e o amor pelo Brasil e pelo povo. Ele adoraria estar aqui pra ver isto na parede”, completa.

     

    Para João Paulo Farkas, a fotografia sempre terá uma relação direta com a realidade e a leitura que um fotógrafo faz daquilo que o cerca, seu espaço e tempo, e pode impactar o seu público. “Desde que não se abuse desta mídia, a fotografia pode ter um papel de despertar, de mostrar, fazer conhecer. Mas uma coisa mudou desde o final do século 20. Hoje a fotografia tem que trabalhar muito mais pela sensibilidade do que pela mera exibição de algo. Já não basta mostrar. Com os públicos muito mais expostos a imagens de todos os tipos, o como se fotografa passou a ser tão importante quanto o que se fotografa”.

     

     

    JOÃO PAULO FARKAS

    João Paulo Farkas sempre esteve em contato com a fotografia. Após graduar-se em Filosofia pela Universidade de São Paulo, Farkas mudou-se para Nova Iorque onde estudou no International Center of Photography e na School of Visual Arts. Foi fotógrafo correspondente das revistas Veja e IstoÉ, onde também trabalhou como editor de fotografia. Ganhou o prêmio ABERTE e Bolsa Vitae de Artes/Fotografia. Seus trabalhos fazem parte de importantes acervos e museus brasileiros, além de estarem no acervo do ICP (International Center of Photography). Em 2015, dezesseis imagens do fotógrafo passam a integrar o acervo da Maison Européenne de la Photographie, em Paris.

     

    SERVIÇO

    Exposição: Amazônia Ocupada

    de João Farkas

    Quando: 24 de julho a 1 de novembro

    Onde: Espaço de exposições

    Sesc Bom Retiro — Alameda Nothmann, 185, Campos Elíseos

    Quanto: grátis

    Agendamento de Grupos:

    E-mail: agendamento@bomretiro.sescsp.org.br / terça a sexta, das 09h às 20h

    Telefone: (11) 3332-3663

    24/07. Sexta, às 20h. Abertura.

    28/07 a 1/11. Terça a sexta, das 9h30 às 20h30

    25/07 a 1/11. Sábados, das 10h às 18h30

    26/07 a 1/11. Domingos, das 10h às 17h30

    Estacionamento: R$ 4 e R$ 8

    Acessibilidade: Entrada com acesso para pessoas com deficiência

    Site: www.sescsp.org.br/bomretiro