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  • AgendaAna Paula Oliveira apresenta individual na Galeria Millan.

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    Com abertura no dia 18 de julho, a mostra Ainda que te vi traz instalação com cerca de

    300 casulos de borboleta

    Instalação, esculturas, fotografias e vídeos compõem a nova exposição de Ana Paula

    Oliveira, intitulada Ainda que te vi. Ao transportar até a Galeria Millan crisálidas vivas

    cultivadas na região do Pantanal, a artista explora o processo de transformação de

    substâncias e a tensão entre elementos naturais e seus sistemas de cultivo, pesquisas

    recorrentes em sua trajetória.

    Na instalação, fixados acima de grandes placas de mármore suspensas por cabos de aço,

    as crisálidas vem pairar sobre os visitantes. Lentes de aumento incrustadas no mármore

    funcionam como lupas, aproximando opticamente o objeto, ou mesmo interfaces frente às

    quais é possível assistir ao espetáculo da eclosão dos casulos. Ali posicionadas, entre o

    visitante e o objeto, filtram e ressignificam o fenômeno, já em constante transformação.

    O conjunto de esculturas cria um sistema no qual tudo é controlado: da altura das pedras

    ao grau das lentes e o tempo de eclosão. Opõe-se assim ao processo natural em que a

    lagarta escolhe onde se instalar e depende das condições de umidade e calor para

    completar seu ciclo. Este cenário construído não implica, porém, ausência de conflito. A

    tensão está latente nos deslocamentos físicos e temporais propostos pela instalação, na

    expectativa do ápice da metamorfose das crisálidas e nas relações que surgirão entre as

    borboletas recém-nascidas voando pela galeria e os visitantes da mostra.

    É precisamente nestes conflitos que reside a chave da produção da artista, como apontou

    Rodrigo Naves: “a inteligência do trabalho consiste justamente em pô-los numa situação

    estranha à sua posição natural e com isso torná-los mais visíveis, potentes e perigosos. E

    o interessante é que, a cada novo trabalho, Ana Paula consegue chegar a significados

    diversos, ainda que seus procedimentos não mudem radicalmente”.

    Somam-se à instalação fotografias de caixas de cultivo feitas no borboletário do SESC

    Pantanal, que destacam a relação arquitetônica entre as estruturas das caixas e das

    crisálidas, além de minivídeos que mostram o momento exato em que os casulos eclodem

    e as borboletas se preparam para acontecer no mundo

    SOBRE ANA PAULA OLIVEIRA

    (Uberaba/MG, 1969) Em 1994, ingressou no curso de Artes Plásticas na FAAP. Fez sua

    primeira exposição coletiva no MuBE, em 1999. Em 2001, criou o espaço de

    experimentação 10,20×3,60 com o grupo Olho Seco, coletivo de artistas. Participou da

    Temporada de Projetos do CCSP e lá ganhou seu primeiro prêmio aquisitivo. Desde então,

    apresenta suas obras em várias instituições como CCSP, MAC de Campinas, Museu de

    Ribeirão Preto e Centro Universitário Maria Antonia. Entre as individuais que apresentou,

    destacam-se a mostras na Galeria Virgílio, em 2007 e 2009, e no Beco do Pinto, em São

    Paulo, em 2012.