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  • AgendaArte postal internacional histórica na Galeria Jaqueline Martins

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    Mostra concebe a arte postal como um movimento global entre artistas do centro e das margens do sistema das artes, do final dos anos 60 até o presente

    Mario Ishikawa, Torneio Democrático,1980, xerox, 33x21cm

    Mario Ishikawa, Torneio Democrático,1980, xerox, 33x21cm 

    A exposição Batalhão de Telegrafistas concebe a arte postal como um movimento global entre artistas do centro e das margens do sistema das artes, do final dos anos 60 até o presente. Durante muitos anos, a prática de utilização dos serviços postais ou de máquinas de fax como estratégia de criação e compartilhamento de artes gráficas e de outros projetos artísticos constituíram o cerne da arte postal; no entanto, o advento da tecnologia da informação deslocou estes parâmetros em direção ao universo digital. Ainda assim, as questões predominantes desde o início da arte postal mantiveram-se significativas na prática artística até os dias atuais. Deste modo, o trabalho em rede, os procedimentos colaborativos e participativos, o compartilhamento, o acesso à informação e a livre circulação e distribuição constituem as bases conceituais desta mostra.

    Mario Ishikawa, Confidencial, 1974, impressão de máquina datilografada, selo postal, tinta de carimbo e fita adesiva

    Mario Ishikawa, Confidencial, 1974, impressão de máquina datilografada, selo postal, tinta de carimbo e fita adesiva

    No Brasil, a arte postal amadureceu durante a ditadura militar (1964-1985). Para inúmeros artistas que viviam e trabalhavam no país nesse período, ela era a única forma de contato com outros artistas internacionais. Dentro de um contexto político carregado de tensão, a arte postal também funcionava como instrumento de denúncia. O projeto e exposição Batalhão de Telegrafistas parte de um número de obras encontradas em arquivos de arte postal de artistas brasileiros  que participaram ativamente de diversas redes internacionais de arte postal da época.

    Embora essas redes, como as conhecemos atualmente, não carreguem o mesmo grau de dinamismo que as mobilizava antes do advento da internet, a metodologia de uso dos correios e outros serviços postais como componente inerente à produção de esculturas, pinturas ou fotografias, por exemplo, continua a ressoar no trabalho de um grande número de artistas.

    Julio Plaza, Xerox sem Título, década de 70

    Julio Plaza, Xerox sem Título, década de 70

    Com a globalização e a invasão da tecnologia da informação em nossas vidas, atualmente os serviços postais servem progressivamente ao fluxo global de mercadorias e bens de consumo, e menos à comunicação pessoal, que, por sua vez, desapareceu na esfera digital. Um número de obras da mostra alude às formas como nos relacionamos entre nós por meio do uso de dispositivos manuais, que nos conectam remotamente a servidores de dados, e ainda sobre os métodos nos quais a rede de comunicação e mídia é empregada para fins de vigilância coletiva ou coersão/persuasão individual.

    Artistas:

    Alexandre Brandão, Almandrade, Andrzeij Dudek-Dürer, Charbel Boutros, Chris Marker, Edgard de Souza, Francesca Woodman, Ilene Segalove, John Kelsey, Karin Sander, Mario Ishikawa, Moyra Davey, Nana Mendes da Rocha & Serguei Dias, Roberto Winter, Walead Beshty, Ze Frank, and selected works from the mail art archives of Gastão de Magalhães, f. marquespenteado e Luis Neto Guardia

    Arte Postal:

    A Arte Postal nasceu no final dos anos 1950, e foi consolidada nas décadas de 1960 e 1970, como instrumento de produção e difusão de produção artística em conjunturas de tensão política, social e cultural. Por ser um meio de expressão livre, visa driblar a censura, e dialoga, no contexto mundial, com a Guerra Fria, e no Brasil, com a ditadura militar. Esse fluxo de informação entre artistas torna-se uma estratégia de liberdade e de ativismo político, e, desta forma, os artistas encontram nos postais uma maneira rápida e simples de difundir suas ideias e trabalhos. É uma arte revolucionária e subversiva na sua essência, que utiliza os suportes físicos para produzir seus significados. É precursora de um princípio inovador: a interação.