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    voltar para a agenda21/7/15 | terça-feira

    Portal de Arte Moderna – Artista Visual Ricardo Barcellos expõe no Poço das Artes

     

    Convite

    O UNIVERSO AZUL É UMA CABINE

    DE RICARDO BARCELLOS

    NO PAÇO DAS ARTES

     

    Abertura: 21 de julho, às 19h

    Visitação: Até 13 de setembro de 2015

     

    Somos constantemente bombardeados por estímulos visuais que condicionam o nosso olhar, seja você consciente ou não desse fenômeno. Para um profissional que trabalha dentro do sistema de circulação de imagens, essa constatação se dá de forma ainda mais profunda, levantando toda a sorte de questionamentos. É o caso do fotógrafo e artista visual Ricardo Barcellos (Porto Alegre, RS, 1969), que considera fundamental examinar não só a respeito da natureza e conteúdo das imagens, mas a forma como as percebemos e internalizamos.

    Ao questionar as relações simbólicas com as imagens, o artista entrou no universo daqueles que não enxergam, ponto de partida de O Universo azul é uma cabine, exposição concebida a partir de entrevistas realizadas com cegos congênitos. O título, aliás, foi retirado da fala de um dos entrevistados. Os dados colhidos pelo artista são traduzidos numa série de trabalhos inéditos agora apresentados no Paço das Artes, individual de Barcellos que ficará em cartaz paralelamente à Temporada de Projetos. A mostra, com curadoria de Diógenes Moura, conta com seis obras multimídia, entre vídeos, objetos, instalação sonora e híbridos que dialogam entre si dentro do espaço expositivo. Os trabalhos buscam a colisão dos mundos de quem vê e de quem nunca viu, apontando para as construções simbólicas que resultam do filtro da cultura.

    Ricardo Barcellos. A Armadilha, 2015

    Para o artista, “A visão, atravessada pelo filtro da cultura, tem imposto sua hegemonia como sentido mediador da nossa relação com o mundo. O trabalho se propõe a investigar como pessoas que nunca enxergaram constroem um mundo sem a exposição às imagens. Quanto mais a cultura condiciona nossa visão, mais limitada ela fica. De tanto ver estamos ficando cegos”.

     

    Entre os trabalhos, está a instalação A armadilha, composta por uma caixa de vidro equipada de uma pequena máquina que injeta periodicamente fumaça dentro da estrutura. Um vídeo com imagens de pessoas caminhando na rua é projetado dentro da caixa, criando uma tridimensionalidade em função da nuvem de fumaça no interior. Segundo o artista, « A tentativa de fixar imagens em três dimensões na nuvem encapsulada dentro do cubo aponta para  a inconstância e fragilidade da visão como mediador de nosso mundo interno e externo”, avalia.

     

    Híbrido entre fotografia e objeto, a série Horizontes Dissimulados é formada por três fotografias laminadas em alumínio medindo 40cm de altura por 120cm de largura edobradas na horizontal exatamente na linha dos horizontes representados nas imagens. Barcellos partiu do depoimento de Lara Mara, uma das cegas que participaram do projeto, que afirmou: “Meu sonho é tocar a linha do horizonte”. Nas palavras de Barcellos, “Tocar e ser tocados por imagens é uma via de duas mãos”.

     

    Elemento simbólico muito presente do imaginário coletivo, a Lua é o tema de A Negociação, um vídeo onde se observa uma fotografia da lua que, sendo projetada em fumaça, fica se formando e deformando. Já em O acordo Barcellos utilizou uma impressora 3D para esculpir a fotografia de uma floresta num bloco de madeira embutido na parede. Através de um projetor digital, a imagem original é projetada por cima do relevo criando, segundo o artista, a dualidade entre o que é tangível e intangível.

    Ricardo Barcellos, A Negiciação, 2015

     

    Completam a exposição o vídeo A impossibilidade do dia e da noite, um registro híbrido dos pés do autor caminhando na areia de uma praia sobre imagens de televisão sobrepostas, até o momento em que entra no mar, e as imagens são arrastadas pelas ondas até sumirem, numa referência às pessoas que passaram a ver depois de muitos anos cegos e acabaram entrando em depressão  e morte, por fim, o trabalho sonoro O Universo azul é uma cabine que traz trechos das falas de cinco cegos entrevistados para o projeto.

    Segundo Barcellos, “Em todas as obras a imagem luta para se estabelecer no mundo, luta para se fixar, luta para sobreviver, seja na “nuvem”, no turbilhão do mar, nas quinas que querem aderir, na floresta que quer se reconciliar com a representação, nos horizontes que querem se emancipar e serem tocados”, conclui.

     

    Nas palavras de Diógenes Campanha, “O Universo Azul é uma Cabine é um experimento entre palavras, matéria, coisas e paisagens que tentam se equilibrar no limite do que é palpável e do que deixa de ser. Algo como tocar um objeto descrito à distância ou tentar conviver com a “realidade” de imagens lançadas em direção à nossa retina”, finaliza o curador.

     

    Sobre o Artista:

    Ricardo Barcellos (Porto Alegre, RS, 1969), graduou-se em Comunicação Social na PUC-RS em 1991. Em 1997 morou em Nova Iorque, onde fez um curso International Center of Photography. Em Londres fez curso de cinema na Met Film School. Com um currículo repleto de prêmios, como o Hasselblad Latin America Photo Competition (2011), FCW de Arte, Ciência e Cultura (2010) e a seleção no Porto Seguro de fotografia (2009), Barcellos já realizou importantes exposições individuais e participou de coletivas no Brasil e exterior. Entre as principais, Demasiado (Central Galeria de Arte, São Paulo, 2013), Mediações de Risco (Central Galeria de Arte, São Paulo, 2012), Ruína em Construção (Galeria Lunara, Porto Alegre, 2011), Peso y Levedad (Instituto Cervantes, Madrid, Espanha, 2011), De los hijos de la tierra (Museu de Arte Moderna, Santo Domingo, República Dominicana, 2012), Trilogia Vermelha – China (Pinacoteca de São Paulo, 2011), Coleção PirelliMasp de fotografia (MASP, 2010) e Loa (Pinacoteca de São Paulo, 2001). O fotógrafo conta ainda com uma extensa lista de publicações e tem seus trabalhos em importantes coleções de fotografia.

     

    Serviço:

    O universo azul é uma cabine, de Ricardo Barcellos

    Abertura: 21 de julho, às 19h

    Visitação: Até 13 de setembro de 2015

    Horário de funcionamento: De quarta a sexta, 10h às 19h; sábados, domingos e feriados, das 11h às 18h

    Grátis

     

    Paço das Artes

    Av. da Universidade, 1, Cidade Universitária (próximo ao metrô Butantã)

    Tel.: (11) 3814-4832 | 3815-4895

    www.pacodasartes.org.br

    http://mapa.pacodasartes.org.br

    Educativo

    Agendamento de visitas orientadas para grupos

    educativo@pacodasartes.org.br ou (11) 3814-4832 | 3815-4895