• (11) 3063-4630 / (11) 98108-6767
  • contato@artehall.com.br

  • AgendaCAIO REISEWITZ e SAINT CLAIR CEMIN na Galeria Luciana Brito

    voltar para a agenda

     

    Na Galeria 1, Luciana Brito Galeria apresenta “tudo vazio agora cheio de mato”, exposição individual de Caio Reisewitz, que reúne uma seleção de nove obras sob uma narrativa inédita. Muito conhecido por sua abordagem quase quimérica ao retratar a paisagem natural ou urbana, já tem algum tempo que o artista vem se dedicando a uma poesia voltada para a fotografia da paisagem natural. O que poucos sabem, no entanto, é que paralelamente a esse período, Caio Reisewitz vem estudando também a dicotomia entre o real e o idílico do uso arquitetônico, por meio da justaposição de imagens.

     

    Já para a Galeria 2, Saint Clair Cemin volta ao seu país de origem para apresentar “Fotini”, terceira exposição individual do artista na Luciana Brito Galeria. Radicado nos EUA, o artista é conhecido por lidar com uma diversidade de figuras, materiais e estilos de forma inusitada, conferindo um estilo espontâneo, porém dramático as suas obras. Considerada autêntica e despojada, a pesquisa de Saint Clair Cemin, apesar de percorrer um caminho atemporal, ultrapassa as questões meramente estéticas para fazer referências pontuais à História da Arte.

     

     

    CAIO REISEWITZ – TUDO VAZIO AGORA CHEIO DE MATO
    Para essa sua terceira exposição individual na galeria, Caio Reisewitz tem como objetivo mostrar um novo enfoque de pesquisa. Sem deixar de salientar sua preocupação com a ação e poder do homem, desta vez ele trabalha os espaços arquitetônicos, resgatando interiores de projetos históricos modernos ou católicos barrocos. De acordo com o próprio artista: “procuro registrar monumentos arquitetônicos brasileiros representativos e, a partir daí, pratico um exercício de reflexão e intervenção orgânica”. Esse processo criativo de fotomontagem intefere na história, transformando o registro e submergindo seus atributos originais.
    Representando um ponto de partida para o olhar do espectador, a obra inédita “Casa Canoas” (2013) é o registro de uma interpretação contemporânea do artista para um projeto modernista. Ela traz o interior original da Casa Canoas, no Rio de Janeiro, um dos projetos ícones do modernismo brasileiro, sendo digerido pelos recortes do artista. A exposição mostra ainda pela primeira vez “Casa Rua Santa Cruz” (2013), uma das primeiras construções de vanguarda modernista do país, por Gregori Warchavchik, além de “Casa de Vidro” (2013), marco da arquitetura construída por Lina Bo Bardi em 1951.
    Servindo como um contraponto aos projetos modernos, Caio Reisewitz recaptula um outro momento histórico brasileiro ao mostrar algumas das nossas igrejas barrocas em “Igreja Nossa Senhora da Paciência” (2012), “Igreja São Francisco do Arrependimento” (2013) e “Igreja Santa Catarina do Julgamento” (2013). Assim como as casas modernistas, esses símbolos católicos também foram (ou ainda são) ícones de ‘lugares de poder’, a exemplo do que foi apresentado na 51ª Bienal de Veneza, mas dessa vez nem tão nacionalistas, mas sim colonialistas. A ideia surgiu a partir de uma pesquisa comissionada pela Unesco em 2008, quando o artista percorreu algumas cidades brasileiras, como Rio de Janeiro, Belém, Brasília, Ouro Preto, Tiradentes e São João del Rei.
    Destoando, mas de certa forma complementando o conjunto dos trabalhos da exposição, está “Carutapera”, trabalho de fotomontagem nunca mostrado no Brasil e que, além de menor, mostra um despojamento intervencionista do artista muito mais arrojado.
    SAINT CLAIR CEMIN – FOTINI
    “Fotini”, nome próprio grego de mulher que, do ponto de vista etimológico, vem da palavra φως [fos – luz] e significa aquela que nasce da luz. A exposição empresta seu título da obra homônima, “Fotini” (2013), um martelo de aço de proporções agigantadas preso em uma caixa de vidro. Concebida como um dueto exclusivo, a exposição só se completa com outra escultura também de símbolo feminino, “Venus-Delilah” (2013), tesoura de bronze, aberta, arrematada por formas marinhas e fixada em um altar de concreto. Ambas as obras são parte de uma série iniciada no final de 2011, intitulada “Drama”, devido ao seu caráter narrativo.
    Se existe algo que caracteriza a obra de Saint-Clair Cemin, é uma radical variação paradoxalmente estilística. Ao longo de sua carreira, o artista tem se utilizado de estilos de épocas e escolas diferentes como parte de sua poética, sem qualquer intenção paródica. No entanto, o trabalho de Saint Clair Cemin não pode ser definido mediante a estética do pastiche pós-moderno e a apropriação de estilos museológicos imaginários do passado, mas sim por uma constante que opera de forma muito mais profunda. Esta corrente subterrânea que atravessa o trabalho do artista caracteriza-se pelo emprego da dualidade como estrutura primordial, de tendências diversas e, por vezes, opostas, que podem ocorrer, tanto na mesma obra, quanto em séries diferentes.
    Estas tendências podem ser divididas principalmente em duas e correspondem, metaforicamente, a dois pontos de vista opostos do mundo. De um lado, o transitório, o fugitivo, o contingente, as formas de tempo que, tais como a história ou a natureza, se enfrentam tanto à mudança como à morte; de outro, o eterno, imutável, o imperecível e todos aqueles âmbitos situados mais além do tempo, como a matemática ou a geometria. Esta dualidade que opera no trabalho de Saint Clair Cemin nunca aparece de forma isolada, pois são tendências que, embora aparentemente opostas, se complementam.
    Dualidade esta que é identificada na obra intitulada “Fotini”, por meio do contraste entre a força do martelo e a fragilidade do vidro que o cerca. Situado em um ligeiro desequilíbrio, o martelo parece querer bater no vidro com toda a sua força para se
    libertar de sua prisão, o que, no entanto, permanece em espera. “Fotini” é uma peça dramática, pois descreve um determinado momento da narrativa, o momento crucial antes da ação. Feito de aço patinado, suas proporções não correspondem às de um martelo comum, pois é ligeiramente mais curto e mais largo na parte central. Esta variação, bem como sua disposição vertical dentro da caixa e a forma peculiar da sua cabeça fazem com que a ferramenta adquira uma qualidade um tanto antropomórfica, ou mais precisamente, zoomórfica.
    Na obra de Saint Clair Cemin, a ferramenta ou utensílio sempre se refere ao mundo do homem em sua versão mais patética e indefesa. Da mesma forma que “Fotini”, como signo feminino, “Venus-Delilah” vem para completar a exposição e é apresentada como um item essencial também delineado por uma dualidade. De um lado, Vênus, deusa romana do desejo, nascida da espuma do mar e relacionada aos âmbitos do amor, da beleza e da fertilidade. Do outro, a filisteia Dalila, o personagem bíblico do livro dos profetas do Antigo Testamento, seduziu Sansão e cortou seu cabelo, terminando assim com sua força. No entanto, as tesouras também lembram uma espécie de compasso, como aqueles usados em geografia. Dispostas verticalmente com as pontas para baixo, as lâminas de Dalila criam uma figura vagamente antropomórfica e teatral.
    “Fotini” é a história de duas personagens femininas opostas e complementares. A mostra, ainda, apresenta uma das principais características do trabalho do artista: a arte como uma recriação da percepção. Se a obra “Fotini”, o martelo preso em uma gaiola de vidro, é, entre outras coisas, uma imagem da luz que golpeia os sentidos, a tesoura oceânica afiada de “Venus-Delilah” vem para representar o próprio ato de cortar, como uma metáfora da ação e seleção que afeta a mente. “Fotini”, a exposição, é uma imagem da cerimônia de percepção.
    SOBRE OS ARTISTAS


    CAIO REISEWITZ
    São Paulo, SP, Brasil, 1967
    Vive e trabalha em São Paulo
    Formado em Artes Plásticas pela Universidade de Mainz Alemanha, com especialização em Poéticas Visuais e mestrado pela Universidade de São Paulo. Dentre os principais projetos, participou do Sesc Belenzinho (2011, SãoPaulo); CCBB Rio de Janeiro (2010, Brasil); Fundación RAC Pontevedra (2009, Espanha); Projeto Parede MAM S.Paulo 2009; Centro Urbano Antonio Nariño (2006, Colômbia); representou o Brasil com o projeto Reforma Agrária, na Casa América em Madrid, durante Photoespaña (2006, Espanha); participou da 26ª Bienal Internacional de São Paulo (2004, Brasil); representou o Brasil na 51ª Biennale di Venezia (2005, Itália); V Biennale de Liége (2006, França); I Bienal del Fin del Mundo (2007, Argentina) e Nanjin Biennale (2010, China). Recentemente, participou do projeto LARA – Latin American Roamin Artist, NCArte (2013, Colômbia). Para ainda este ano, participa da plataforma ATACAMA – Arte y Lugar (Chile). Também participou de mostras importantes, como no Centro Huarte de Arte Contemporaneo (2012, Espanha); MUSAC – Museo de Arte Contemporáneo de Castilla e León (2010, Espanha); Instituto Moreira Salles, Rio de Janeiro (2010, Brasil); Martin-Gropius-Bau, em Berlim (2008, Alemanha); Musée Malraux (2007, França); NBK – Neuer Berliner Kunstverein, Berlin (2006, Alemanha); Ella Fontanals-Cisneros Collection, Miami (2005, EUA).

     

    SAINT CLAIR CEMIN
    Cruz Alta, RS, Brasil, 1951
    Vive e trabalha em Nova York, EUA
    Formado em artes plásticas pela École Nationale Superiéure des Beaux-Arts, em Paris (França), Saint Clair Cemin participou de diversos projetos em espaços internacionais importantes, como o Institute of Contemporary Art (Boston), Espasso, Nova York (EUA), Brent Sikkema Gallery, Nova York (EUA), no Stedelijk Museum (Amsterdam), Whitney Museum of American Art (Nova York) e IX Documenta de Kassel, em Kunsthalle (Basel). Dentre as exposições no Brasil, estão Paralela 2008, no Liceu das Artes, Instituto Itaú Cultural, da XXII Bienal de São Paulo e IV Bienal do Mercosul, em Porto Alegre (Brasil).
    Em exposições individuais, Saint Clair Cemin foi recentemente visto no Centro Atlántico de Arte Moderno (CAAM), em Las Palmas (Gran Canaria, Espanha), em 2009 numa retrospectiva no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo (Brasil), no Hirschhorn Museum and Sculpture Garden, Smithsonian Institute (Washington, DC), Museo de Arte Contemporaneo (Monterrey, Mexico), The Center for the Fine Arts (Miami), The Birmingham Museum of Art (Alabama), no The Arts Club of Chicago, Lever House (Nova York) e no Museu de Arte Moderna da Cidade do México. Seu trabalho, contudo, também faz parte de coleções importantes, como as do Inhotim (MG, Brasil), Whitney Museum of American Art (Nova York), Museum of Contemporary Art (Los Angeles) e Fonds Nacional d´Art Contemporain (Paris).

    www.lucianabritogaleria.com.br