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  • AgendaCentral Galeria apresenta três exposições simultâneas: Pedro Cappeletti, Mayra Redin e Coletivo de Desenhos.

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    A Central Galeria inaugura dia 09 de maio às 19h, três exposições:

    – Pedro Cappeletti apresenta “Informa”, no galpão da galeria, com curadoria de Pedro França. O artista continua sua pesquisa sobre um embate entre formas da cultura e formas da natureza. A mostra tem um caráter instalativo no qual, por exemplo, o volume de seu corpo é apresentado entre a geometria do cubo e o fracionamento em dezenas de recipientes.

    “Estudei muito o desenho e o trabalho que apresento em fotografia pode ser considerado o princípio das obras dessa mostra, que parte da linha para o tridimensional”, conta Cappeletti. “Uma linha percorre as costas de um modelo e assim posso observar o que acontece, o choque das ideias físicas e a interferência que gera tensão”.

    O curador comenta outra obra apresentada na instalação: “no grande cubo de espuma de 3 x 3m, o contraste entre a estabilidade dessa forma ideal e o material na qual é executada torna-se visível pelos cabos de força que a tensionam e deformam”. Para o artista, a interferência de forças no objeto gera um problema, pois a forma geométrica deixa de ser um cubo.

    – Mayra Redin apresenta “Observatório de Sereno”, instalação com imagens e sons na qual um protocolo científico é emulado com o objetivo de realizar uma experiência poética: captar imagens de gotas de orvalho no fim da madrugada.

    “Em uma casa simples em uma ecovila em Minas Gerais, construí um experimento efêmero para observar o sereno, uma estrutura provisória feita de filó, que não tem veracidade científica, em que brinco com a ciência”, conta a artista. Mayra fotografou a interação das gotas do orvalho com o tecido fino durante o dia e a noite. Na instalação no térreo da CENTRAL, ela mostra uma série de imagens e de sons, em que se ouve a própria artista lendo textos e os sons da floresta ao redor daquele experimento.

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    – O título da terceira exposição é “Na natureza não há linha nem cor”. O foco da coletiva é o desenho, o uso da linha na criação de imagens. O título vem de uma frase do poeta e teórico francês Charles Baudelaire (1821-1867) em um de seus textos sobre Delacroix, onde ele ainda arremata: “É o homem que cria a linha e a cor. Estas são duas abstrações que tiram igual nobreza de uma mesma origem (a natureza).”

    Artistas: Ana Teixeira, Edith Derdyk, Fernando Lindote, Flávia Ribeiro, Hélio Fervenza, Nino Cais, Nydia Negromonte, Malu Saddi, Shirley Paes Leme, Sidney Amaral, Tiago Judas.

     

     

     

    Texto Crítico:

    “Na Pintura, aquilo que nomeamos ordinariamente Desenho é uma expressão aparente, uma imagem visível dos pensamentos do Espírito e daquilo que é formado primariamente na imaginação”. Com esta frase escrita em 1676 em seu tratado “Princípios da Arquitetura, Escultura e Pintura”, André Félibien faz ressaltar o caráter ideacional que até hoje acompanha a noção de desenho. No senso comum, quando se quer representar algo presente apenas em pensamento, o recurso ao desenho de contornos em linhas parece ser o mais adequado. Funciona como um código, uma convenção, que já anuncia esta natureza imaterial do que se quer representar.

    A Pintura é apresentada, no mesmo tratado, como o concurso de três elementos: o desenho, a cor e a composição. A cor, ligada ao modelado, às texturas, preenche o desenho com vida e materialidade. A ideia (desenho) é subitamente trazida para nosso mundo palpável, mundo das coisas, quando ganha cor e superfície. É famoso o debate que percorreu o século XVIII no qual se disputava qual seria o mais importante para a boa pintura: o desenho ou o colorido. Poussin e Rubens eram os arquétipos para cada lado da contenda. Pensamento e matéria, ideal e sensual, Platão e Aristóteles, alma e corpo, artificial e autêntico,… Parecem todos binômios de uma mesma polaridade, entre um mundo intangível que criamos e este tangível em que vivemos: talvez uma condição de nossa natureza humana ou de nosso modo de pensar.