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    voltar para a agenda13/6/18 | quarta-feira

    Arte Hall Galeria de Arte tem o prazer de anunciar a 1ª individual, em São Paulo, do artista Evandro Soares,

    “Arquitetura Inventada” assinada pelo curador

    Mario Gioia.

    Abertura, quarta-feira 13 de junho, das 18h às 21h

    Com dois livros publicados, obras que compõem o acervo de três museus Brasileiros e prêmios com menção honrosa, Evandro Soares explora essencialmente os planos, as linhas, sombras e luz. Para essa exposição o artista mescla diferentes técnicas como solda de fios de ferro em chapa de alumínio, desenho em nanquim​, fotografia e site-specific.

    ​    Impressão fotográfica sobre ACM

    “Em Arquitetura inventada, a primeira individual em São Paulo, Evandro Soares estende a compreensão da sua obra como desenho, fazendo com que tal linguagem perpasse o tridimensional, a fotografia e a publicação, entre outros meios. Radicado em Goiás, o artista agora utiliza a linha não apenas para distender os limites entre superfície e entorno, mas para friccionar noções da representação – desta vez, com séries-experimentos que partem do fotográfico. Arquitetura inventada também traz um olhar do artista a atestar uma certa ruína da utopia modernista e, em seu lugar, o emergir de uma assepsia e de um lugar-comum, em predominância na zona cinzenta entre o edificado e o (des)planejado”. Mario Gioia (texto do curado íntegra abaixo)

                                                                

                                                      Escultura em ferro                                Desenho em nanquim e ferro

    ​Evandro Soares conecta o saber popular com questões da arte contemporânea, liga sua longa experiência em serralheria (que confere à sua produção qualidade técnica irrepreensível) ao frescor com que trada as questões que advêm dos códigos construtivistas, minimalistas e até mesmo do design e da arquitetura. Uma inventividade intuitiva rege seu modo de pesquisar a linha como fundamento do desenho, sua maneira de tratá-la como único elemento de sua linguagem artística.

    SOBRE O CURADOR:

    Mario Gioia (São Paulo, 1974)

    Curador independente, é graduado pela ECA-USP (Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo). Integrou o grupo de críticos do Paço das Artes desde 2011, instituição na qual fez o acompanhamento crítico de Luz Vermelha (2015), de Fabio Flaks, Black Market (2012), de Paulo Almeida, e A Riscar (2011), de Daniela Seixas. Foi crítico convidado de 2013 a 2015 do Programa de Exposições do CCSP (Centro Cultural São Paulo) e fez, na mesma instituição, parte do grupo de críticos do Programa de Fotografia 2012. Em 2015, no CCSP, fez a curadoria de Ter lugar para ser, coletiva com 12 artistas sobre as relações entre arquitetura e artes visuais. Já fez a curadoria de exposições em cidades como Brasília (Decifrações, Espaço Ecco, 2014), Porto Alegre (Ao Sul, Paisagens, Bolsa de Arte, 2013), Salvador (Fragmentos de um discurso pictórico, Roberto Alban Galeria, 2017) e Rio de Janeiro (Arcádia, CGaleria, 2016), entre outras. Em 2016, a sua curadoria para a mostra Topofilias, no Margs (Museu de Arte do Rio Grande do Sul), em Porto Alegre, foi contemplada com o 10º Prêmio Açorianos, categoria desenho. É colaborador de periódicos de artes como Select e foi repórter e redator de artes visuais e arquitetura da Folha de S.Paulo de 2005 a 2009. De 2011 a 2016, coordenou o projeto Zip’Up, na Zipper Galeria, destinado à exibição de novos artistas e projetos inéditos. Na feira ArtLima 2017 (Peru), assinou a curadoria da seção especial CAP Brasil, intitulada Sul-Sur, e fez o texto crítico de Territórios Forjados (Sketch Galería, 2016), em Bogotá (Colômbia).

    SOBRE O ARTISTA:

    Evandro Soares, nasceu em 1975 em Novo Mundo na Bahia.

    Com 2 livros já publicados, e obras no acervo do Museu do MAR do Rio de Janeiro, no Centro Cultural da UFG em Goiânia, e no MUnA em Uberlândia constam em seu currículo uma exposição individual internacional na Galeria Trema em Lisboa. Duas individuais institucionais no Museu de Arte e  Palácio da Cultura, ambos em Goiânia, e um Solo Show na feira Art Rio.

    Além de participação em feiras internacionais em Londres, Madrid e Lisboa, se destacam exposições coletivas institucionais no Centro Dragão do Mar em Fortaleza, a TRIO Bienal no Rio, e o MARP em Ribeirão Preto.

    Em prêmios recebeu menção honrosa Salão Nacional de Jundiaí  e em seu Solo Project na ARTIGO, entre outros.

    SERVIÇO:

    Exposição Individual de Evandro Soares

    Curadoria Mario Gioia

    Título: “Arquitetura Inventada”

    Abertura: 13 de junho de 2018 das 18h às 21h

    Período expositivo: 14 de junho à 27 de julho de 2018

    Endereço: Rua Cônego Eugenio Leite 240 – Jardim Europa, São Paulo

    Visitação: segunda a sexta-feira, das 10h às 18h – Sábado sob-agendamento

    Telefone: (11) 3063-4630 – contato@artehall.com.br – www.artehall.com.br

    APOIO: Stella Artois

     

    Texto crítico de Mario Gioia 

     

    Tipologias do sensível

    A linha percorre com simetria e regularidade o exterior da superfície envidraçada. Cria novos volumes em meio às edificações, estando elas tanto em movimento de construção (ou seria um prenúncio da ruína?) como já completamente levantadas e assentadas, a priori, em terrenos estáveis. Os novos espaços, ainda esvaziados, estão no campo do projeto ou seriam desvios poéticos para reforçar ainda mais um cenário de absurdo? É como se Escher aportasse agora no Brasil Central – na verdade, em qualquer agrupamento global, e isso é parte do horror – e investigasse, via delgados fios metálicos, o que hoje se desenha nas configurações algo anômicas dos skylines metropolitanos.

     

    Em Arquitetura inventada, a primeira individual em São Paulo, Evandro Soares – o artista que conduz tal linha – estende a compreensão da sua obra de desenho, fazendo com que tal linguagem perpasse o tridimensional, a fotografia e o caderno/livro de artista, entre outros meios. Radicado em Goiânia, o artista agora utiliza o mais importante elemento gráfico não apenas para distender os limites entre superfície e entorno, mas também para friccionar noções de representação – em séries-experimento que partem do fotográfico, resultam em trabalhos mais escultóricos e lidam com a arquitetura brasileira das grandes cidades e todo o campo simbólico que podem remeter.

     

    Tendo atuado como serralheiro quando mais jovem, o artista leva essa habilidade com o material para a contemporaneidade, costumeiramente trabalhando nos limites, hoje borrados, de cada suporte. Escolheu algumas vezes a pintura e outros meios, contudo na zona limítrofe entre desenho, objeto/escultura, instalação e, atualmente, fotografia, é onde age, sempre de posse do elemento-linha.

     

    Anteriormente, como na mostra Espaço Limítrofe (2015), em Anápolis (GO), Evandro parecia tatear a arquitetura, ainda muito a ver com uma ideia de desenho expandido – um exemplo da mescla abordada é a ficha técnica proposta: desenho em nanquim sobre papel, metal e sombra. Portanto, os efeitos da luz em relação ao que está colocado nas paredes do cubo branco, com transformações naturais (as mudanças entre dia e noite) e artificiais (o sistema de iluminação do espaço expositivo, ajeitado de modo a destacar as peças e desligado ao fim do expediente) são fulcrais no que é exibido. Valorizam, pois, a experiência de cada momento do público, que pode ver/ler/sentir as obras em contínua movimentação. E a arquitetura realizada por Evandro lembraria formas, volumes, projeções e espaços entre o rudimentar, o imaginário e o conceitual. Criações urbanas e mentais que, em meio a coisas do mundo – seriam caixas d´água, habitações populares, porções de labirintos de outros planos, com escadas rumo ao indefinido? -, tirariam partido da indeterminação.

     

    Interessante, agora, recorrer a José Resende, um dos grandes nomes do tridimensional nacional, a referendar a decisiva importância do desenho na própria obra. “A capacidade de ver distingue qualidades, associa coisas e ideias, ordena sentidos hierarquizados pela escolha fundo/figura, gera consciência portanto sobre algo visto. Exercê-la é a definição primeira do desenho” 1, argumenta ele em trabalho especialmente criado para uma publicação.

     

    Em peças recentes, Evandro pode pender para um tom mais escultórico, em que individualiza, com o uso de aço e outros metais, poliedros e elementos anteriormente mais esparsos, como as escadas. E, apesar dessa colocação tridimensional, o pensamento gráfico é decisivo nas peças – nesse sentido, seus cadernos ganham peso e ultrapassam o papel somente de processo. Como outros artistas jovens, também evoca a tradição construtiva de nossa história da arte, tentando levá-la a novos momentos – relevante enfatizar que o artista nascido na Bahia gosta, por vezes, de jogar com o observador, em aproximações mais vertiginosas ou mais severas, ligando-se a procedimentos de nomes da corrente cinética, por exemplo.

     

    Arquitetura inventada, por fim, traz a nova investigação do artista, com mais afinco, sobre a urbe que nos rodeia. O olhar do artista assinala uma certa ruína da utopia modernista no Brasil – ou seja, a derrocada da área que foi gloriosa na primeira metade do século 20, sendo reconhecida em âmbito internacional por sua liberdade formal, entre outras características . E, em seu lugar, o emergir de um lugar-comum (para dizer o mínimo). Nas palavras de Rem Koolhaas, um dos teóricos-chave desta era de congestão, com sua Cidade Genérica: “A Cidade Genérica está a passar da horizontalidade para a verticalidade. O arranha-céus parece ser a tipologia final e definitiva. Engoliu todo o resto. (…) As torres já não estão juntas; separam-se de modo a que não interajam. A densidade isolada é o ideal” 2. E, em outro momento: “A Cidade Genérica é a pós-cidade que se está a preparar no lugar da ex-cidade”3.Evandro Soares, a partir do registro fotográfico (vestigial, em seu fundamento) e das diminutas intervenções feitas manualmente, então, constrói plataformas para algo que ainda não adentramos, cria vínculos com o não estável, traça linhas de fuga para um nada criador. Pequenas operações em busca do essencial, que aplicam o sensível por sobre a grande especulação, a eficiência economicista, o tecnológico quase onipresente, a redundância mediocrizante. Mesmo que gerem crises, ações revigorantes dentro de dias ansiosos e conflagrados.

     

    Mario Gioia, junho de 2018

     

    1. DERDYK, Edith (org.). Disegno. Desenho. Desígnio.São Paulo, Senac São Paulo, 2007, p. 59
    2. KOOLHAAS, Rem. Três Textos sobre a Cidade. Barcelona, Gustavo Gili, 2010, p. 43
    3. KOOLHAAS, Rem.  Idem, p. 42