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    Melanie Smith faz reflexão sobre embate entre natureza e civilização em pinturas e vídeo inspirados na região amazônica

    Exposição traz o vídeo Fordlândia, realizado na região comprada pelo industrial norte-americano Henry Ford nos anos 1920, às margens do rio Tapajós

     Fordlandia still  065

    A Galeria Nara Roesler abre, em 18 de novembro, a exposição Fordlândia, de Melanie Smith, uma pesquisa da artista sobre o projeto megalômano de Henry Ford de fazer um grande polo produtor de látex para a confecção de pneus em plena Floresta Amazônica, às margens do Rio Tapajós. O projeto se desenvolveu durante a década de 30, mas as novas tecnologias que surgiram na época fizeram tudo ruir e Ford teve um prejuízo de mais de 20 milhões de dólares.

     

    A artista, que é britânica, mas reside atualmente no México, provoca uma reflexão sobre o embate entre a natureza e a civilização. Na exposição, que segue até 1º de fevereiro, são exibidos um vídeo e pinturas de sua produção atual.

     

    Fordlândia, o vídeo, é homônimo à região de mais de 14 mil metros que Henry Ford (1863-1947), industrial norte-americano do ramo automobilístico, comprou nos anos 20, no estado do Pará. Hoje correspondente ao município de Aveiro, a região era então uma cidade destinada a crescer com a exploração da borracha para fazer os pneus dos carros da Ford, como alternativa ao látex explorado na Malásia.

     

    Com o choque cultural entre os trabalhadores nativos e os executivos norte-americanos, a condição de infertilidade do solo e a inexperiência estrangeira no plantio das seringueiras, o empreendimento foi um total desastre. Com isso, a região, que deveria tornar-se uma cidade próspera, foi abandonada, deixando em seu rastro as ruínas das construções que, aos poucos foram invadidas pela vegetação densa.

     

    Em sua pesquisa pictórica cuja base é o uso da cor, Melanie Smith se apropria de uma gama de verdes em que a floresta surge como massa espessa e soberana, sem a ideia conciliatória que norteia o pensamento ecológico atual. Nas pinturas de Smith, a floresta não se dobra ao capricho humano, é antes um enorme organismo vivo.

     

    O vídeo faz o contraponto do verde com elementos como caminhões, concreto envelhecido e estradas cortadas em meio à floresta, que antes de se submeter ao impulso civilizatório do homem, impõe-se em sua potência de resistência e reintegração. Estar na floresta é desistir do impulso totalitário da cultura na constante luta pela adaptação entre as características naturais e urbanas.

     

    Sobre a artista

    Melanie Smith nasceu em 1965, em Poole, Reino Unido, e radicou‑ se na Cidade do México, México. Participou da 54ª Bienal de Veneza, Itália (2011); da 8ª Bienal do Mercosul, em Porto Alegre, Brasil (2011); e da 8ª Bienal de Havana, Cuba (2003). Entre as exposições coletivas de que participou recentemente estão: Under the Mexican sky: Gabriel Figueroa – art and film (Los Angeles County Museum of Art, Los Angeles, EUA , 2013); México inside out: themes in art since 1990 (Modern Art Museum of Fort Worth, Fort Worth, EUA, 2013); Salvajes ‑  disgesting Europe piece by piece (Traneudstillingen Exhibition Space, Copenhague, Dinamarca, 2012); Another victory over the sun (Museum of Contemporary Art, Denver, EUA, 2011); The Smithson effect (Utah Museum of Fine Arts, Salt Lake City, EUA, 2011); e The twentieth century (Tate, Liverpool, Inglaterra, 2009); além de mostras individuais como Melanie Smith (MK Gallery, Milton Keynes, Inglaterra, 2014); Melanie Smith (Contemporary Art Museum Houston, Houston, EUA, 2014); Xilitla (FLORA ars+natura, Bogotá, Colômbia, 2013); Irretratabilidad, ilegibilidad, inestabilidad (Museo Amparo, Puebla, México, 2013); Melanie Smith (Fundação Joaquim Nabuco, Recife, Brasil, 2012); Short circuit, Villa Merkel, Esslingen, Alemanha, 2012); Bulto (Museo de Arte de Lima, Peru, 2011); e Xilitla (El Eco, Cidade do México, México, 2010).