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  • AgendaGaleria Nara Roesler exibe Antonio Dias e Roesler Hotel 26#

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    Antonio Dias

    Sem título - antonio dias 2013 técnica mista sobre tela 165 x 360 x 10 cm Cod: 26282

    Sem título – Antonio Dias,2013. Técnica mista sobre tela
    165 x 360 x 10 cm. Cod: 26282

    Galeria Nara Roesler inaugura no dia 1º de abril uma mostra da produção recente de um dos ícones da arte brasileira, Antonio Dias.

    As telas incluídas na seleção atestam o vigor e a atualidade do trabalho do artista, que mantém sua inquietude na pesquisa por uma pintura orgânica, viva e em consonância com o tempo presente.

    Paralelamente à mostra na galeria, Antonio Dias está em cartaz naFundação Iberê Camargo ,a partir de 13 de março, com a exposição Potência da Pintura, curada por Paulo Sérgio Duarte.

    Sobre as telas de Dias, a crítica Sonia Salztein escreveu: “o conjunto de pinturas recentes de Antonio Dias mantém-se no rumo tomado pelo artista desde meados da década de 1980. São trabalhos que confirmam procedimentos característicos do que ele iniciava naquele momento”. O que se vê são assemblages de telas justapostas, sobrepostas, unidas caoticamente, desconstruindo a noção bidimensional da pintura por meio de seus volumes e da irregularidade do contorno.

    Mas não apenas essa alternância de enquadramento e superfície subverte o caráter pictórico tradicional: na aparente monotonia dos padrões impressos em cada um dos módulos pela pigmentação irregular, quase abandonada à própria sorte graças à deposição de materiais voláteis – pigmentos, elementos minerais, aglutinantes – Dias cria unidades cromáticas que integram o conjunto como peças de um mosaico, formando nuances visuais capciosas, a enganar o olho pelo rompimento abrupto das temperaturas de cor e das padronagens orgânicas.

    Por essa pluralidade de ações convergentes, o artista complexifica o próprio procedimento pictórico, abrindo espaço ao acaso mesmo de forma consciente. Dias frustra a expectativa do olhar, num movimento que desperta o espectador acostumado à harmonia e à perfeição próprias do mundo tecnológico e industrial.

    Ou ainda, novamente por Sonia Salztein, “disso tudo geralmente resultou, como também agora, uma pintura que antagoniza o estatuto óptico e a condição vertical do quadro, embora essa pintura sempre devesse se firmar em ambos, de modo obrigatório. O antagonismo se radicaliza e chega a um impasse na produção atual, e nisto reside a relevância dessas telas no debate contemporâneo da pintura – justo no disparate notável entre a ausência de expressividade declarada em cada uma de suas superfícies e a dramaticidade sobressalente, fora de lugar, que elas terão expulsado do quadro e que, se não pode doravante pertencer a ele ou à imagem acidental que dele inevitavelmente se desprende, fica implicada, e de modo tenso, no manejo distanciado e, digamos, ‘pára-pictórico’ dos materiais pictóricos. Essa dramaticidade fora de lugar, de que se tem notícia através da espécie de ritual ensaiado de procedimentos, é, conforme se disse, o que confere enorme interesse e atualidade a esses trabalhos.”

    Dessa forma, seguem ativos a pesquisa e o pioneirismo que marcaram a obra do paraibano desde o início de seu envolvimento com o universo artístico, ao se radicar no Rio, no fim da década de 1950, quando teve aulas de gravura com Oswaldo Goeldi (1895-1961). O ano de 1966 traz a criação com maior vigor de trabalhos de cunho conceitual, como a sérieThe Illustration of Art. Posteriormente, realiza peças que se apresentam como autorretratos, como The Art of Transference (1972) e A Fly in My Movie (1974-76). A participação do público em sua obra é, por vezes, intensamente requerida, como na instalação Faça Você Mesmo: Território Liberdade, de 1968 (integrante da 29ª Bienal de São Paulo, 2010).

    Transitando pela pintura, instalação, fotografia, livro de artista, vídeo e outras técnicas, Antonio Dias é descrito pelo crítico e curador Paulo Herkenhoff como “o nexo principal entre os neoconcretos e os artistas dos anos 1970: entre Hélio Oiticica e Cildo Meireles, Lygia Clark e Tunga, os não objetos e Waltercio Caldas, não se distanciando de Ivens Machado e Iole de Freitas, ou mesmo dos que atuavam nos anos 1960 ao lado de Cildo, como Barrio, Raimundo Colares e Antonio Manuel. Dias tempera a presença da palavra entre a arte conceitual e a tradição da poesia concreta”.

    sobre o artista

    Sem título - antonio dias 2014 técnica mista sobre tela 180 x 180 x 15 cm Cod: 27357

    Sem título – Antonio Dias, 2014. Técnica mista sobre tela.
    180 x 180 x 15 cm. Cod: 273

    Antonio Dias nasceu em Campina Grande, Paraíba, em 1944, e vive e trabalha entre Rio de Janeiro e Milão. Participou da Bienal de São Paulo, Brasil, nas edições de 1981, 1994, 1998 e 2010. Entre as exposições coletivas recentes estão Mitologias por procuração (Museu de Arte Moderna de São Paulo, São Paulo, Brasil, 2013); Biografia incompleta(Museu de Arte Contemporânea de Niterói, Niterói, Brasil, 2013); América do Sul, a pop arte das contradições (Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil, 2013); Arte & política: enfrentamentos, combates e resistências (Memorial Getúlio Vargas, Rio de Janeiro, Brasil, 2013); O agora, o antes: uma síntese do acervo doMAC (Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil, 2013); O colecionador: vontade construtiva (Museu de Arte do Rio, Rio de Janeiro, Brasil, 2013); O abrigo e o terreno (Museu de Arte do Rio, Rio de Janeiro, Brasil, 2013), Pop, realismi e politica (Galleria d’Arte Moderna e Contemporanea, Bergamo, Itália, 2013); Circuitos cruzados (Museu de Arte Moderna de São Paulo, São Paulo, Brasil, 2013); Order, chaos, and the space between (Phoenix Art Museum, Phoenix, EUA) e Open work (Hunter College, Nova Iorque, EUA, 2013). Suas recentes mostras individuais incluem: In conversation: Hans-Michael Herzog and Antonio Dias (Museum of Fine Arts, Houston, EUA, 2012); Anywhere is my land (Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo, Brasil, 2010). Possui obras em coleções públicas internacionais como: Museum of Modern Art, Nova Iorque, EUA; Ludwig Museum, Colônia, Alemanha; Daros Collection, Zurique, Suiça; Stadtische Galerieim Lenbachhaus, Munique, Alemanha; Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires, Buenos Aires, Argentina; Fondazione Marconi, MIlão, Itália; e Centro Studi e Archivio della Communicazione, Università de Parma, Itália. Sua obra está representada em coleções nacionais como: Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro; Museu de Arte Contemporânea do Paraná, Curitiba; Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro; Museu de Arte Moderna de São Paulo, São Paulo; Itaú Cultural, São Paulo; Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo;Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, São Paulo;Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães, Recife; Museu de Arte Contemporânea de Niterói / Coleção Sattamini, Niterói; e Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, São Paulo. Está em cartaz na Fundação Iberê Camargo com a mostra Antonio Dias – potência da pintura até 18 de maio.

    Roesler Hotel 26# – Spectres – curadoria Matthieu Poirier

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    Fugacidade da luz ganha tradução em obras de nomes como James Turrell e Julio Le Parc na mostra Spectres, que inaugura em 1º de abril

    Nova edição do Roesler Hotel,projeto de exposições com curadores convidados da galeria Nara Roesler, traz recorte do historiador da arte Matthieu Poirier, co-curador da mostra Dynamo, do Grand Palais

    A fugacidade da luz é o fio condutor do 26# Roesler Hotel, projeto de exposições da Galeria Nara Roesler que convida curadores emblemáticos do Brasil e do exterior. Com recorte do historiador da arte Matthieu Poirier, a exposição Spectres (Espectros) tem abertura no dia 1º de abril, trazendo cerca de 20 trabalhos de nomes como James Turrell e Julio Le Parc.

    A mostra reúne esculturas, instalações, pinturas e fotografias abstratas, que utilizam o recurso da luz, reforçando sua fugacidade pela oscilação entre o aparecimento e o desaparecimento. Essa alternância do claro e do escuro, e a consequente projeção de sombras, é o que confere às obras, de vários períodos e correntes artísticas, uma aura espectral, fantasmagórica.

    Além de Turrell e Le Parc, Dan Flavin, Ann Veronica Janssens, Larry Bell e Hiroshi Sugimoto estão entre os artistas de peso selecionados pelo curador, cuja pesquisa sobre a utilização da luz na arte e sua influência sobre os sentidos lhe rendeu participações em exposições de larga escala, como Dynamo – Un siècle de lumière et de mouvement 1913-2013 (Grand Palais, 2013), em que atuou como co-curador, sob o comando de Serge Lemoine; e a individual de Julio Le Parc, Soleil froid(Palais de Tokyo, 2013), como conselheiro científico. Ambas foram realizadas no ano passado em Paris.

    Com a mostra, Poirier interroga a própria natureza da abstração, em sua acepção como a morte da figura, pelo viés da luz, que tem o poder de criar materialidade e presença visuais, como também de dissimulá-las. Em suas palavras, “a luz não é mais considerada uma ferramenta para compreender ou ‘fazer sentido’. Em vez disso, ela dissolve a realidade, expandindo os limites da visão”.

    O caráter espectral dos objetos não está na desaparição total, mas na tensão da “cintilação entre visível e invisível, uma flutuação constante entre a vida e a morte das aparências”. Dessa forma, Poirier conceitua a arte que se produz pela percepção visual como perceptual, surgida dos sentidos, em contraponto à arte conceitual, que se origina antes da razão e do pensamento.

    ALGUNS DESTAQUES

    Do artista japonês Hiroshi Sugimoto, a galeria apresenta as fotografias em P&B Lightning fields 167 e 168 (2009), Fox, Michigan (1980) eAvalon Theatre, Catalina Island (1993). As duas primeiras fazem parte de uma série de imagens produzidas por descargas elétricas sobre a película fotográfica, num resultado que se assemelha a um relâmpago – como o próprio nome sugere. Resultado de mais de uma hora de exposição à luz, as duas últimas retratam cinemas de arquitetura rebuscada. A versão menor de Avalon Theatre, Catalina Island (1993) faz parte do acervo do Metropolitan Museum of Art.
    Em suas obras, o precursor minimalista Dan Flavin (EUA) segue a proposta de trazer para o espaço a criação de “situações”, com a redefinição arquitetônica por meio de luz e cor.

    Outro pioneiro norte-americano, James Turrell, tem representada na mostra sua investigação sobre os limites sensoriais no uso da luz com obras cujos volumes se produzem por nuances luminosas monocromáticas.

    A relatividade das cores com relação à posição do espectador é explorada pela britânica radicada em Bruxelas Ann Veronica Janssens na obra Blue, red and yellow (2001). Em grandes dimensões, essa instalação assume cada uma das cores do título conforme é vista de diferentes ângulos. Completam a lista de artistas Bettina Samson, William Klein, Pierre Huyghe, Garry Fabian Miller, Isabelle Cornaro, Blair Thurman e os irmãos Florian & Michael Quistrebert

    MATTHIEU POIRIER

    Francês, é Doutor em História da Arte pela Sorbonne (Paris IV), e pesquisador convidado do Centro Alemão de História da Arte em Paris, o pesquisador e curador tem pesquisa voltada para arte e luz. A isso se deve sua atuação como co-curador da mostra Dynamo – Un siècle de lumière et de mouvement 1913-2013, no Grand Palais, sob o comando de Serge Lemoine. Foi também conselheiro científico da retrospectiva de Julio Le Parc, Soleil froid, no Palais de Tokyo (2013). Leciona na Universidade Paris-Sorbonne, na École régionale des Beaux Arts de Rouen e na École européenne supérieure de l’image à Angoulêmee, além de escrever como colaborador para revistas como Der Spiegel e Le Quotidien de L’Art.

    SOBRE ROESLER HOTEL

    Idealizado em 2004, o projeto começou como uma rede de intercâmbio: uma oportunidade de convidar artistas e curadores para desenvolverem projetos e exporem suas obras. Até hoje, foram vinte e cinco edições, entre elas, coletivas como Dispositivos para um mundo (im)possível (2014), com curadoria de Luisa Duarte, Cães sem Plumas (2013), curada por Moacir dos Anjos, Dark paradise (2013), por Tim Goossens, Hamish Fulton (2013), com curadoria de Alexia Tala, Buzz (2012), curada por Vik Muniz, Lo bueno y lo malo (2012), por Patrick Charpenel, Otras Floras(2008), curada por José Roca, além de individuais de Sutapa Biswas(2008), Rosário Lopez Parra (2008), José León Cerrillo (2007), Paul Ramirez Jonas (2011) e muitas outras.

    Em 2012, com a ampliação da Galeria Nara Roesler, o projeto Roesler Hotel começou uma nova fase, tornando-se um programa paralelo ao da Galeria, no qual curadores e artistas são convidados a colaborar. Este programa foi idealizado para provocar novos modos de pensar e produzir, articulando a rede de artistas, galerias e curadores.