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  • AgendaInstituto Tomie Ohtake inaugura três exposições: Hugo França, José Bechara e a própria Tomie Ohtake

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    Três artistas no Instituto Tomie Ohtake 

    TOMIE OHTAKE – Influxo das formas

    HUGO FRANÇA – Casulos

    JOSÉ BECHARA – Repertório para aproximação de suspensos 

    Tomie Ohtake – Influxo das formas

    Nesta segunda exposição organizada pelo Instituto Tomie Ohtake no ano em que comemora o centenário da artista que lha dá o nome, os curadores, Agnaldo Farias e Paulo Miyada, vasculharam o ateliê de Tomie – com a sua devida permissão – em busca da gênese de seu processo de trabalho.

    Dos milhares de esboços que a artista fez durante mais de seis décadas e das centenas que guardou, a dupla selecionou para a mostra cerca de cem materiais de estudos, entre colagens, desenhos, cadernos, croquis e maquetes de esculturas, que, divididos por famílias de linguagens, ocupam uma das salas do Instituto. Para refletir e contrapor entre o processo e a obra, outra sala abriga cerca de 30 trabalhos entre pinturas, gravuras e uma escultura.

    Um dos fatos que surpreenderam os curadores foi constatar que em todos os estudos desenvolvidos por Tomie, apesar das mudanças de cor ou material em todos os suportes e em cada fase, ela criou um vocabulário próprio de formas que vão e voltam como uma inundação em toda sua obra. “[…] suas linhas não têm começo nem fim, elas retornam sempre, como letras de um alfabeto pessoal que Tomie manuseia incessantemente, percorrendo-as em tamanhos, cores e materiais variados”, afirmam os curadores.

    Por muitos anos, Tomie rasgou e recortou páginas de revistas brasileiras e japonesas – além de cartões postais, envelopes e o que mais lhe caísse nas mãos – a fim de criar os módulos de seus estudos para pinturas e gravuras. Segundo os curadores, tratam-se de colagens pequenas, nas quais interessa não apenas o tamanho e a cor dos pedaços de papel, mas também a textura e os detalhes que podiam ser cuidadosamente emulados em suas telas.

    Farias e Miyada descobriram também que, paralelamente, a artista preenchia cadernos e folhas soltas com dezenas de pequenos retângulos, cada um a síntese de uma pintura. Feitas com canetas coloridas, esferográficas, grafite e mesmo com picotes de papel, essas miniaturas podiam ser o ponto de partida de novas telas ou formar compilações de obras que, juntas, integrariam uma exposição. “Esse jogo torna-se mais elaborado conforme notamos que, mesmo depois de consolidadas em uma pintura, as formas seguem vivas, escoam para novas telas, às vezes com outras cores e pinceladas, às vezes “simplesmente” de outro tamanho. Se levarmos em conta suas gravuras, podemos desistir de vez de acreditar que as linhas de Tomie possam ser represadas em definitivo”, completam.

     

    HUGO FRANÇA – Casulos

    Hugo França, Casulo Abacatuaia, 2013, 230 x 250 x 310 cm, Madeira Pequi, 700 kg_1

     

    A exposição de Hugo França no Instituto Tomie Ohtake, que ocorre em paralelo ao Design Weekend, reúne três “Casulos”, peças em grandes dimensões, com mais de uma tonelada cada, que estarão dispostas no grande hall do único espaço do país especialmente projetado e concebido para realizar mostras de artes plásticas, arquitetura e design. O visitante poderá interagir com cada obra, experimentar o acolhimento e a textura das peças, esculpidas a partir de grandes raízes e troncos de madeira, e perceber o respeito à matéria original e a força do processo criativo, aspectos fundamentais da produção do designer.

    Em sua produção, iniciada nos anos 80, França utiliza resíduos florestais de árvores queimadas ou condenadas pelas intempéries, cujo destino seria o descarte natural. O Pequi Vinagreiro, sua principal matéria prima, é natural da Mata Atlântica e atinge até 40 metros de altura com tronco de até 2,5 metros de diâmetro. Esta árvore – que pode viver até 12 séculos – possui uma resina impermeabilizante resistente ao tempo e à umidade, e é utilizada, há séculos, pelos índios pataxós para fazer suas canoas.  Recentemente, em função da escassez deste resíduo, devido ao desflorestamento cada vez mais voraz, Hugo França passou a trabalhar também com outras madeiras como a Imbuia e Braúna, espécies típicas da floresta tropical brasileira.

    Os Casulos inéditos, produzidos nos últimos três anos, formam sua mais recente série e representam a síntese da experiência que busca propor em todas as suas peças: um contato “imersivo” do homem com a natureza.  . Integra ainda a exposição um ensaio fotográfico de Andrés Otero, realizado no sul da Bahia, região de onde vem a matéria-prima da obra de Hugo França, além de imagens que retratam as várias etapas do trabalho do artista. Madeiras de árvores caídas e abandonadas sempre ganham uma segunda vida nas obras esculpidas pelo premiado designer. A forma em seus trabalhos reafirma o protagonismo da natureza, a beleza em cada pedaço de madeira encontrado, em geral, enormes toras da Mata Atlântica da região de Trancoso, no sul da Bahia. Assim, mesas, bancos, cadeiras, espreguiçadeiras tornam-se peças únicas, nunca replicáveis. Hoje Hugo França é reconhecido no mundo todo por suas “esculturas-mobiliárias”, nome utilizado primeiramente pela crítica Ethel Leon, que o designer faz questão de creditar.

    Os trabalhos de França são esculpidos diretamente em troncos e raízes, às vezes semi-queimados ou reaproveitados de velhas canoas, materiais que estariam destinados ao abandono não fosse a intenção do designer de recuperá-las a serviço do homem. França estendeu o seu conhecimento sobre este aproveitamento para a cidade, e cria equipamentos urbanos para áreas públicas. O Parque Ibirapuera, em São Paulo, é um dos exemplos. Entre 2011 e 2012, a partir de árvores condenadas, ele criou uma linha lúdica de mobiliário urbano, como bancos, brinquedos e “casulinhos” para a grande área verde da metrópole paulistana. Hugo França já desenvolveu projetos como este para o Parque Burle Max, em São Paulo, Museu do Açude, no Rio de Janeiro, École des Beaux-Arts de Saint-Etienne, na França, e recentemente foi convidado pela Prefeitura de Nova York para fazer o mesmo em diversos parques e praças públicas da cidade.

    Nascido em Porto Alegre em 1954, Hugo França começou seu ofício no sul da Bahia, onde viveu muitos anos. Hoje divide o tempo entre a região baiana e seu ateliê em São Paulo.  O autor do ensaio fotográfico, o gaúcho Andrés Otero, vive entre Milão, Lausanne e São Paulo e ficou reconhecido pelos registros fotográficos na área de arquitetura, design e iluminação. Contribui regularmente para as revistas “Interni”, “Domus”, “Abitare”, “Casabella”, “L’Architecture d’aujourd’hui”, “Surface”, entre outras.

     

    JOSÉ BECHARA – Repertório para aproximação de suspensos 

    José Bechara, Nuvem, 2013, Vidros planos, tinta látex, cabo de aço e objeto tridimensional dimensões variáveis_3

    Nesta segunda exposição de José Bechara no Instituto Tomie Ohtake – fato bastante incomum, uma vez que o Instituto preferencialmente não repete nomes – o artista apresenta trabalhos inéditos e que, mais do que isso, representam uma quebra radical dentro do que vinha produzindo, ou mesmo no rumo das investigações gerais no âmbito da produção pictórica/tridimensional.

    Conforme aponta o Núcleo de Pesquisa e Curadoria do Instituto Tomie Ohtake, diversamente do que apresentou em sua primeira exposição – uma instalação formada pelo acúmulo de móveis, acompanhada por um conjunto de pinturas realizadas sobre lonas de caminhão oxidadas –, dessa vez Bechara traz obras confeccionadas em vidro, e de modo bastante singular. Com uma nova série de trabalhos de grande formato, construídos em vidros planos, a pintura confunde-se com escultura para, através de transparências, reflexos e refrações, envolver arquitetura e espectador, num jogo permeado por relações e descobertas ocorridas a cada passo, conforme a proximidade com cada trabalho.

    Encostadas ao longo das paredes e nos cantos formados por elas estão os “Suspensos”. Para o Núcleo de Pesquisa e Curadoria do Instituto Tomie Ohtake, o termo poderia ser construções e tratá-las como pinturas equivaleria a reduzir seu alcance, enquanto defini-las como esculturas seria não compreender o modo que elas se servem do espaço circundante, espaço que aqui compreende tanto a arquitetura quanto a atmosfera.

    Lançando mão de cor e placas de vidro, sombras e reflexos, manchas e desenhos que o artista marca diretamente na parede, a matéria prima do trabalho prolonga-se pelas transparências, superposição de planos, fragilidade, peso e equilíbrio. Além desses seis trabalhos, como referência de suas pesquisas anteriores, desenvolvidas e aprofundadas nos últimos anos em concomitância com esses achados, uma grande escultura de metal.

    Por fim, o NPC do Instituto lembra que toda essa novidade tem um pé em referências históricas. “Em arte, como em qualquer outra prática humana, ninguém sai do zero. Vladimir Tatlin, Lazlo Moholy-Nagy, Mies Van der Rohe, Dan Graham, Waltercio Caldas são alguns dos protagonistas da arte moderna e contemporânea que podem ser entrevistos nos reflexos e espectros dessas obras. Todos eles potencializados por essa conquista de José Bechara”.

    José Bechara nasceu no Rio de Janeiro em 1957, onde trabalha e reside. Estudou, na EAV – Escola de Artes Visuais do Parque Lage, localizada na mesma cidade. Iniciou sua carreira artística em 1991 e desde então mantém intensa agenda expositiva no Brasil, Europa e Estados Unidos. O artista participou da 25a Bienal de São Paulo; 29a Panorama da Arte Brasileira; 5a Bienal Internacional do MERCOSUL; Trienal de Arquitetura de Lisboa de 2011 e das mostras “Caminhos do Contemporâneo” e “Os 90” no Paço Imperial do Rio de Janeiro. Realizou exposições individuais e coletivas em instituições como Fundação Eva Klabin, Rio de Janeiro; Culturgest, Portugal; MEIAC, Espanha; Instituto Valenciano de Arte Moderna, Espanha; MAM Rio; MAC Paraná; MAM Bahia; MAC Niterói; Instituto Tomie Ohtake, São Paulo; Museu Vale,Vila Velha; Haus der Kilturen der Welt, Alemanha; Ludwing Forum Fur Intl Kunst, Alemanha; Kunst Museum, Alemanha; Centro Cultural São Paulo; ASU Art Museum, Estados Unidos; Museo Patio Herreriano, Espanha; MARCO de Vigo, Espanha; Carpe Diem Arte e Pesquisa, Portugal; Musee Bozar, Bélgica; Museu Casa das Onze Janelas, Belém do Pará etc.

    Possui obras integrando coleções públicas e privadas, a exemplo de MAM Rio de Janeiro – coleção Gilberto Chateaubriand–BR; Pinacoteca do Estado de São Paulo–BR; Centre Pompidou, França; Es Baluard Museu d’Art Modern i Contemporani de Palma, Espanha; Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto; MAC Niterói – coleção João Sattamini–BR; Instituto Itaú Cultural, São Paulo; MAM Bahia; MAC Paraná; Culturgest, Portugal; ASU Art Museum, Estados Unidos; MoLLA, Estados Unidos; Ella Fontanal Cisneros, Estados Unidos; Universidade Cândido Mendes, Rio de Janeiro; MARCO de Vigo, Espanha; Stitfung Brasilea–CH; Fundo BGA–BR, José Olympio Pereira, Dulce e João Carlos Figueiredo Ferraz, Ana Luiza e Mariano Marcondes Ferraz, Susana e Ricardo Steinbruch, entre outras.