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  • AgendaMAC USP Nova Sede inaugura “Por um Museu Público – Tributo a Walter Zanini”

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    Walter Zanini (1925-2013), historiador da arte, professor universitário, crítico e curador foi o responsável pela estruturação do recém-criado Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP). Na direção do Museu entre 1963 e 1978 realizou exposições e pesquisas com ênfase em artistas modernos brasileiros e com a participação direta e constante de artistas, transformou o Museu num território livre e experimental em plena ditadura militar. Desenvolveu atividades envolvendo cinema, música, arquitetura e vídeo, pensando sempre o museu como um espaço dialógico multimídia.

    Imagem de divulgação

    Imagem de divulgação

    Nos anos iniciais do MAC USP, as ações de Zanini são estruturantes: realiza a conservação, a ampliação e apresentação das coleções, organiza a biblioteca e o centro de documentação (arquivo) do Museu. Busca criar conexões com outras instituições artísticas e culturais no país a partir de um programa de exposições itinerantes. Inicia ações e programas voltados para a constituição de diferentes setores no Museu, tais como: Setor de Cinema, Setor de Música, Setor de Fotografia, Setor de Arquitetura, assim como impulsiona atividades relativas ao Design. Inicia os programas de exposições: Jovem Desenho Nacional (JDN 1963-1965), Jovem Gravura Nacional (JGN 1964-1966) e Jovem Arte Contemporânea (JAC 1967-1974) que são importantes para ampliação do acervo de arte contemporânea.

    Princípios como solidariedade, cooperação e coletividade são operantes e decisivos na construção desse ‘MAC do Zanini’, como é conhecido o MAC USP naqueles anos. Em 1972 com Acontecimentos, Ambiente de Confrontação e VI Jovem Arte Contemporânea o conceito de exposição é completamente subvertido. O museu como explica Zanini “deixa de entrar em cena depois da obra e é concomitante a ela”. Com a presença de artistas o MAC USP efetiva-se como um laboratório de criação.

    A ampliação das coleções internacionais articulam-se à organização de exposições que tem como estrutura funcional a rede. Nesse momento, listas de artistas e endereços circulam internacionalmente e a chamada para exposições com convocatórias internacionais constitui um princípio, alheio ao mercado e à censura .Essa estratégia revela-se fundamental para a organização de exposições e ampliação do acervo de arte contemporânea no Museu. As exposições Prospectiva’74 Poéticas Visuais (1977), além de outras inciativas, reúnem uma rede de artistas ligados pela arte postal e desse modo angaria para o MAC USP a mais importante coleção pública de arte conceitual internacional no Cone Sul. As tratativas para a construção de uma sede própria para o Museu na Cidade Universitária, esforço contínuo de Zanini ao longo de sua gestão, dão um importante passo com o projeto de Paulo Mendes da Rocha (1975) que, entretanto, nunca foi realizado. Zanini empenha-se na compra de um aparelho portátil de vídeo para os artistas trabalharem, dando vida ao Museu como um espaço operacional e a nascente videoarte brasileira é apresentada na 8ª JAC (1974).

    Ao comemorar 50 anos o MAC USP volta-se para a sua origem e reconhece no curador-construtor Walter Zanini um legado tão exemplar para o presente quanto para o futuro.

    Cristina Freire