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  • AgendaEstemp, novo espaço em São Paulo, apresenta “Brise-Soleil”

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    BRISE-SOLEIL

     

    Exposição traz trabalhos de artistas residentes do novo espaço em São Paulo

     

    Mesa Redonda: Arte, Arquitetura e Poder – “Brasília”, o projeto moderno brasileiro por excelência

    Data: 5 de setembro, quinta-feira, às 19h

    Com: Luiz Alberto Cordeiro, Maria Elisa Costa, Sônia Helena Taveira de Camargo Cordeiro, interlocutor: Paulo Miyada

    A partir da exposição, que tematiza a arquitetura moderna, especialistas refletem sobre as tensões do Brasil atual, abordando a implantação de Brasília na área central do país e suas repercussões. 

     

    Depois de Neblina do Outro Lado da Rua, o estemp – idealizado pela artista alemã-holandesa-americana que vive em São Paulo Ellen Slegers para ser palco de experiências da arte, residências de estrangeiros, exposições e encontros – realiza a sua segunda exposição, BRISE-SOLEIL. A mostra concebida por Slegers, que desta vez também está entre os artistas participantes, Christine ErhardRalf Werner e Thomas Neumann, procura refletir sobre a arquitetura moderna e suas relações com o poder político.

     

    “Para esta residência que vai resultar na exposição procurei reunir artistas interessados em investigar as cidades, alguns deles com trabalhos ligados diretamente à arquitetura”. Os três alemães ficaram no Brasil durante o período das manifestações, fato que colaborou para alimentar reflexões sobre sociedade e utopia, questões que também interessavam à organizadora de BRISE-SOLEIL, pessoalmente forte defensora da democracia direta.

     

    Outro ponto desta exposição que reforça o conceito do novo espaço paulistano é que Thomas Neumann produziu seu trabalho no meio da anterior, Neblina do Outro Lado da Rua, dando continuidade aos temas abordados e ao mesmo tempo provocando transformações ao ampliá-los com as novas propostas sugeridas pela mostra seguinte. Esse tipo de experiência só é possível em um projeto aberto, livre, como é a proposta do estemp. Thomas Neumann, reconhecido por uma obra que se desenvolve pelo seu interesse por urbanismo e a resignificação de lugares, concebeu estruturas construtivas, revestidas por cópias de imagens de matérias de jornais publicadas no Brasil no ano em que ele nasceu (1975), iluminadas internamente, questionando a linguagem modernista dos anos 70.

     

    É nesse sentido também que se configura a obra do escultor Ralf Werner, uma instalação com volumes de madeira, forro PVC e luz neon, que se projetam da fachada do estemp em direção à rua. Tanto o forro PVC como os tubos de luz neon são elementos do próprio espaço expositivo que o artista desloca para o espaço público, destacando e relacionando elementos da arquitetura moderna à atualidade, ao mundo do espectador. Ralf Werner também apresenta uma obra fotográfica onde faz a citação e a desconstrução da fotografia arquitetural encontrada em livros antigos. A linguagem modernista, neo-concreta, o minimal art e o suprematismo são os principais focos do artista.

     

    Por sua vez Christine Erhard mostra obras que questionam modelos arquitetônicos por meio da fotografia que se alimenta de imagens históricas da arquitetura e da arte, principalmente modernista, a partir de maquetes construídas em seu estúdio. Essencial para Erhard é o encontro de diferentes eixos, olhares e dimensões da realidade numa imagem. Apresenta uma foto-instalação em que envelopa os dois lados de uma parede e que tem a participação de uma obra de Ralf Werner.  Para a mostra no estemp, criou novos trabalhos nos quais focou o suprematismo (Lazlo Moholy Nagy e El Lissitzky).

     

    “Participação” se torna um paradigma-chave para a artista e idealizadora Ellen Slegers, que instala uma foto-parede com referências ao centro da “grande politica” brasileira: o Senado Federal, lugar do poder legislativo, seria o núcleo para uma participação do povo no contexto da democracia direta (exemplo da Suiça). Slegers também apresenta fotografias em que faz uma releitura de obras conhecidas, como a Olympia de Manet, e se autorretrata com seu filho. As obras da artista incorporam um questionamento político-social que causa estranheza e interrogação, já que no original a mulher não aparece como mãe. Ellen Slegers integra o contexto do “outro”, do filho, do espectador, à questão do artista como sujeito e ao mesmo tempo objeto da obra. A participação de adulto e criança, mãe e filho, se torna um símbolo para a participação entre “não-iguais”, para a possibilidade de parcerias entre diferentes, com igual valor apesar das diferenças.

     

    Sobre os artistas/ estudo: Christine Erhard (1969), Academia das Belas Artes de Düsseldorf, Prof. Fritz Schwegler – artista, professora; fotografia partindo da escultura, pesquisa arquitetônica e de modelos, Suprematismo; Ellen Slegers (1972), Ciências econômicas e sociais na Universidade de Fribourgo, Suica; Academia das Artes de Bruxelas, Prof. Philippe Van Snick e Belas Artes de Düsseldorf, Prof. Helmut Federle e Christopher Williams; Ralf Werner (1969), Filosofia e ciências culturais na Universidade de Bremen, Academia das Belas Artes de Düsseldorf, Prof. Magdalena Jetelovà; Thomas Neumann (1975), Academia das Belas Artes de Düsseldorf com Prof. Bernd Becher e Thomas Ruff.

     

    MESA REDONDA

    Arte, arquitetura e poder.

    “Brasília” o projeto moderno brasileiro por excelência

     

    Convidados da área do urbanismo e da arquitetura, que acompanharam o processo de construção e consolidação de Brasília falam de sua vivência profissional e pessoal, abrindo a reflexão sobre a (re)invenção do Brasil “interiorizado”, sobre o significado de se construir uma cidade do zero, sobre o projeto, a gestão e as implicações políticas inerentes à capital brasileira.

     

    Participam da mesa-redonda o engenheiro civil e urbanista Luiz Alberto Cordeiro e sua esposa, a arquiteta e urbanista Sônia Helena Taveira de Camargo Cordeiro, a arquiteta Maria Elisa Costa, filha e colaboradora de Lucio Costa, e como mediador, o arquiteto e curador Paulo Miyada. Maria Elisa, Luiz Alberto e Sônia Helena relatam suas experiências e refletem sobre Brasília, levantando questões filosófico-políticas que jogam luz sobre os acontecimentos e o momento político atuais.

     

    “No Brasil, a modernidade sempre significou instilar identidade nacional através da arquitetura, independente de estar em harmonia ou em oposição ao desarranjo contínuo da periferia, (…).” (Rüdiger Lainer, Brazilian Conditions, complex and simple, p. 7).

     

    A partir da exposição BRISE-SOLEIL, que tematiza a arquitetura moderna, especialistas refletem sobre as tensões do Brasil atual, abordando a implantação de Brasília na área central do país e suas repercussões.

     

    Até hoje a capital do Brasil, o desenho do avião – símbolo da decolagem de uma nação jovem – implantada numa serra, fascina. Sobretudo pela força de vontade de se construir, num curto período de tempo, uma cidade que realizaria uma utopia e seria um ícone da história da arquitetura.

     

     

    estemp

     

    Inaugurado em junho de 2013, por Ellen Slegers, artista alemã-holandesa-americana que vive em São Paulo há 8 anos, o estemp é um espaço de liberdade e intercâmbio entre artistas e entre artistas e público, desvinculado dos números – venda ou visitantes – daí representar uma alternativa às estratégias de galerias ou museus.

     

    “Esse espaço-Off oferece a possibilidade de exposições livres das tradicionais estruturas hierárquicas”, afirma Slegers. Segundo ela, todos participam de forma democrática das decisões, ao existir grande flexibilidade na concepção das atividades, estimuladas pelo viés experimental. A curadoria de uma mostra, por exemplo, pode ser feita por um amigo artista e a atmosfera tem que favorecer a reflexão. Além de receber residentes, o lugar não é originalmente um local de exposição, ao contrário do cubo branco que, conforme avalia o historiador de arte Arne Reimann, representa o paradigma-chave de lugares culturais estabelecidos e o sinal do que pode ser reconhecido como arte.

     

    O projeto é um desdobramento de ESTEMPorary, www.estemp.de, realizado também por Slegers em Düsseldorf, entre 2006 e 2010. A artista, em seu ateliê, convidava colegas para fazer exposições em grupo sobre diferentes temas que a interessam, com objetivo de criar um lugar de experiência expositiva aberta. Uma prática já bastante disseminada em Düsseldorf.

     

    Ellen Slegers – que se formou em pintura e fotografia nas Academias de Düsseldorf, Alemanha, e de Bruxelas, Bélgica, e foi aluna dos pintores Helmut Federle e Philippe Van Snick e do fotógrafo Christopher Williams – ao contextualizar o espaço que idealizou para a metrópole brasileira, destaca que a abordagem mais interessante sobre o estemp foi dada pela crítica de arte Danielle Schulte am Hülse que o remeteu ao espaço “liso” de Deleuze:

     

    “O espaço que Deleuze chama “liso” não é homogêneo, mas é um espaço amorfo, projetivo e informal. Trata-se de um espaço ocupado por coisas, percebido por sintomas e avaliações sem essas serem claramente definidas, sem elas serem mensuráveis através de claras coordenadas. O grande exemplo do espaço liso por excelência é o mar…”, comenta a crítica.

     

    Mesa redonda “Arte, Arquitetura e Poder: Brasília”: 05 de setembro, às 19h