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    voltar para a agenda1/10/15 | quinta-feira

    Simões de Assis Galeria da Arte abre individual com a produção mais recente de Gonçalo Ivo

    Gonçalo Ivo - Corps céleste - Para Plinio El Viejo - 200 x 200 cm -Óleo, têmpera e folhas de ouro, cobre e prata sobre tela - 2015

    Com abertura no dia 1º de outubro, a mostra apresenta cerca de 40 obras do artista, expoente da geração 80, que destacam a cor e a geometria

    A partir do dia 1º de outubro a Galeria Simões de Assis, em Curitiba, será tomada pelas cores e pela geometria do artista Gonçalo Ivo. Com mais de três décadas de carreira, o artista carioca que reside entre Paris, Madrid e Teresópolis apresenta cerca de 40 obras, a maior parte delas óleos sobre tela. O texto de apresentação é assinado por Felipe Scovino.

    Gonçalo Ivo - Altar - 210 x 80 x 7 cm - Óleo, têmpera e folha de ouro sobre cedro - 2015

    Os trabalhos dessa individual, que possui telas de grandes, médias e em pequenas dimensões, apresentam combinações cromáticas que se destacam, como ressalta Scovino, pela “capacidade do artista de criar módulos distintos de experiência cromática em suas telas e pela abertura para a ideia de uma partitura na maneira como compõe”. Scovino se refere tanto ao fato de várias das obras possuírem nomes que aludem à música, como Fuga, Contraponto, Acorde, Prelúdio e Variações Para Cora, quanto pela maneira com que Ivo configura a sintaxe de suas telas, incluindo linhas e criando andamentos e ritmos a partir da pulsação das cores.

    Parte das obras é inédita, outras delas só foram exibidas anteriormente em Paris e Madrid, cidades europeias nas quais o artista realizou individuais recentemente.

    A criação de uma corporeidade para a cor se sobressai em seu trabalho, tanto pela forma intuitiva com que chega a combinações cromáticas originais, como pela maneira poética com que as constrói em suas pinceladas. Como apontou outro crítico, Paulo Venâncio Filho, seu trabalho transita em uma frequência tênue entre a gestualidade e a pintura lisa, texturas sutis que convidam o olhar do espectador em telas de dimensões que podem chegar a ter 2,10m de comprimento e 4m de largura.

    A história de Gonçalo Ivo com a pintura vem de sua infância. Filho do poeta Lêdo Ivo, a casa de seus pais era frequentada desde muito cedo por poetas e pintores, como Iberê Camargo, de quem seu pai colecionava obras. Ainda nos anos 50 o casal adquiriu obras de Volpi, Milton Dacosta, Lygia Clark e igualmente de pintores da virada do século XIX para o XX. O ambiente plural, somados à paixão por nomes da música tais como Brahms, Mahler e Bach desde que tinha 10 anos de idade, foram o substrato para o artista que teria na intuição seu principal guia ao longo de suas décadas de carreira.

    Foi também a intuição que o guiou para recolher pedaços de madeira abandonados em seu sítio, em Teresópolis, onde mantém um de seus ateliês, ou às margens do Sena (o artista também possui um ateliê em Paris e outro em Madrid ), e lhes conferir nova vida.

    Gonçalo Ivo - Fuga e Contraponto para 16 vozes - 100 x 100 cm - óleo sobre tela - 2015

    Nas obras intituladas Altar, presentes na exposição, novamente o artista utiliza madeiras, mas agora cedros em grandes dimensões – 2,10m de altura, mais precisamente para compor o que o curador aponta como “a imagem de uma arquitetura religiosa”. São trabalhos realizados com têmpera – técnica medieval na qual os pigmentos ou corantes podem ser misturados a uma emulsão de água ou ovo – , e, em alguns casos, folha de ouro e calcinação, técnicas que agregam tons brilhantes ou foscos, também resultando em uma metamorfose da cor. O jogo de colagens de técnicas e materiais se combinam de forma única, evidenciando “uma cor que possui matéria e significativamente espessura, “odor”, pois ela é toda corpórea, física, maleável”, diz Scovino em seu texto sobre a mostra.

    Para a crítica Maria Alice Milliet, “o gosto pela manipulação da matéria alimenta a pintura de Gonçalo Ivo, feita de alquímica mutação. A insistente exploração das sutis variações estruturais e cromáticas não visa esgotar, mas confirmar a profusão de possibilidades existentes no uso econômico dos recursos”.  Seu geométrico está menos para a matemática que para a poesia e, em sua combinação com a pesquisa cromática, chega a propor um questionamento sobre a técnica à qual é fiel há tantos anos: a pintura.

     

    Sobre Gonçalo Ivo


    O artista Gonçalo de Medeiros Ivo nasceu no Rio de Janeiro em 1958. Pintor, aquarelista, desenhista, ilustrador e gravador, frequentou os ateliês dos artistas Augusto Rodrigues, Abelardo Zaluar e Iberê Camargo ainda jovem. Estudou pintura no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ) em 1975, sob orientação de Aluísio Carvão e Sérgio de Campos Mello. Em 1984 participou da histórica exposição “Como Vai Você, Geração 80?”, com curadoria de Marcos Lontra, no Parque Lage, RJ. Arquiteto formado pela Universidade Federal Fluminense (UFF), foi professor visitante da Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). No decorrer de sua carreira, realizou diversas exposições coletivas e individuais no Brasil e no exterior. Em 2000 assinou cenário para o programa Metrópolis, da TV Cultura e nesse mesmo ano, mudou-se para Paris, onde monta seu ateliê. Suas obras fazem parte de importantes acervos de instituições nacionais e mundiais.

    Sobre seu trabalho, vários livros foram publicados no Brasil e no exterior, com autoria de grandes críticos, poetas e ensaístas como Lionello Puppi, Marcelin Pleynet, Frederico Morais, Roberto Pontual e Martin Lopez-Vega.

    O artista fez parte também da última grande coletiva da Galeria, “Geração 80: Ousadia & Afirmação”, que revisitava artistas que foram destaques da histórica exposição no Parque Lage em 1984, no Rio de Janeiro.

     

    Sobre a Simões de Assis

    A Simões de Assis Galeria de Arte, fundada em Curitiba em 1984 pelo arquiteto Waldir Simões de Assis Filho, é voltada para a arte moderna e contemporânea.

    Além de exposições realizadas em seus espaços, a galeria desenvolve projetos em parceria com museus, colaborando na organização e curadoria de mostras dos artistas representados. Participa das principais feiras de arte brasileiras e dentre suas atividades publica livros e catálogos de arte, através de sua própria editora.

    Em 2002, sob sua curadoria e coordenação publicou o livro “Cícero Dias, Uma Vida pela Pintura”, reunindo obras realizadas pelo destacado pintor brasileiro ao longo de oito décadas de produção. Em 2006, sob sua organização e curadoria fez a exposição Cícero Dias – Oito Décadas de Pintura, no Museu Oscar Niemeyer em Curitiba. Considerada a maior mostra já realizada sobre o artista, reuniu 200 obras oriundas de museus e coleções nacionais e internacionais, todas reproduzidas em um livro editado na ocasião.

    Abraham Palatnik, Alfredo Volpi, Ângelo Venosa, Arcângelo Ianelli, Ascânio MMM, Bernard Frize, Carmelo Arden Quin, Célia Euvaldo, Cícero Dias, Eduardo Sued, Hercules Barsotti, Elizabeth Jobim, Geraldo de Barros, Gonçalo Ivo, Iole de Freitas, José Bechara, Jaildo Marinho, Manfredo de Souzanetto, Marcos Coelho Benjamim, Siron Franco e Tomie Ohtake são alguns dos artistas que a galeria expôs ao longo de sua trajetória, mantendo obras de muitos deles em seu acervo.

    Ao lado dos vários artistas contemporâneos representados, a galeria representa com exclusividade no Brasil a obra do modernista Cícero Dias (1907 – 2003) e do mestre uruguaio Carmelo Arden Quin (1913-2010) fundador do grupo Madi. Ambos viveram a maior parte de suas vidas em Paris, onde participaram ativamente do seu meio artístico e cultural.

    Serviço:

    Gonçalo Ivo

    Abertura: 1º de outubro, quinta-feira, 19h
    Exposição: 2 de outubro a 31 de outubro de 2015
    Simões de Assis Galeria de Arte
    Endereço: Alameda Dom Pedro II, 155 – Batel, Curitiba – PR
    Tel.: (41) 3232-2315
    Horário: Seg. a sex.: 10h às 19h, Sab.: 10h às 17h.