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  • AgendaCasa da Xiclet apresenta mostra coletiva “Em Terra de Cego Quem é Semiótico é Rei”

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    A mostra Coletiva Em Terra de Cego Quem é Semiótico é Rei reunirá obras dos artistas: ANDRE SZTUTMAN, ANDRE ALBUQUERQUE, ÁGUEDA FERRÃO,  DEBORA WALDMAN, FABIO LEÃO, FELIPE ADONIS, FERNANDO HORTA, FLÁVIO ABUHAB, FERNANDA ZERBINI, GEDLEY BELCHIOR BRAGA, HECTOR CONSANI, KHALIL CHARIF, LUCIANA JUNQUEIRA DE QUEIROZ, MARCELA THOMÉ, MARCUS MATTOS, MATHEUS CARRERA MASSABKI, RAFAEL CHVAICER, ROBERTO O’LEARY, ROSSANNA JARDIM, WAGNER CATELLANI e muitos  ++ . Perfomance Vista (Minha) Pele de RONALDO ZÁPHAS 13/09 as 21h

     

    Em terra de cego quem é semi-ótico é rei
    André Sztutman, agosto de 2013

    A insistência de uma visão de mundo se matura. Curadoria como maturação, como a cura dos queijos, como o trabalho de uma dona de casa que sustenta sua fé e seu trabalho em meio ao estranhamento plástico operado nas avessas da cosmética e do mercado (de arte), alçada pela ética fundamental que quer diversão, quer diversidade, quer amor. Curadoria aqui é uma habilidade sempre em desenvolvimento de permitir que o outro se perca; é dar espaço para o próximo se perder; é a anti caça às bruxas, o anti macartismo, a anti cruzada, a anti inquisição, a anti procura por armas de destruição em massa no quintal do vizinho, é a anti feira, a anti bienal, a anti galeria, a anti faculdade, a anti mídia, a anti vernissage, a anti-tudis.

    Curadoria que espera lhe baterem a porta. Apenas quem a procura pode ali entrar. Não convida, não premia. Não dita. Casa protegida de vampiros, da cegueira dos espelhos. Um olho baila nas noites hidratadas por cerveja, fumacentas e eróticas.

    Erotismo da palavra: um olho só dançando no erro gramatical do mundo. Surfe: oficinas espontâneas de poesia, mas de uma poesia inadmissível. Deliciosamente errada e corriqueira. O quadro negro de uma carcassa de geladeira que abriga discos antigos é a bola de cristal opaca a nos explicar sempre algo novo sobre as estratégias absurdas do óbvio fugidio. Esse olho solitário catalisa as energias de um povo que baila na escuridão e o ativa.

    As paredes da casa, a sua couraça cheia de cicatrizes, cheia de tatuagens, obras de arte sem aura, suam a mesma mensagem do mesmo olho que bóia indeciso. A cegueira do cubo branco também está aqui, mas como que seqüestrada por piratas bucaneiros . Aqui é uma cegueira de luz em abraço com as trevas do mundo, abraço circular da arquitetura de uma casa típica de um bairro que já perdeu quase toda sua autenticidade. Aqui o arcaico resiste. Aqui é o contemporâneo-arcaico, ou seja, o verdadeiramente contemporâneo, o que agoniza no seu tempo, porque o vê.

    A Criança-Rei está nua. O olhar nú. A fala-nua. A realeza de olhar e falar, de apontar falando, de falar apontando. A nudez, a infância, a realeza.

    Os artistas aqui são individualmente cegos, mas brincam com a cegueira de todos. Carimbam nas paredes mais uma marca, como nas cavernas pré-históricas, da vida hostil na savana. Dão testemunhos de uma vida que parece sonho. Todos são cegos assumidos, cegos brincalhões, cegos que riem da prórpia cegueira.

    Mas de quem é o olho? Quem acende a tocha na caverna? Quem (ou o que) é o cinematógrafo? Será aquela magrinha usando lente de contato em um só olho (semiótica), sentada no sofá? Xiclet possui uma galeria de arte ou um cinema? A cada visita, inicia-se uma nova seção, um novo filme roda sobre a luz do cinematógrafo sem dono. Brincadeira. Xiclet mora num filme? Xiclet mora na gíria. Casa da solteira Xiclet convida todos — mas tem que trazer lenha pra fogueira. Ou bacon.