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  • AgendaMariana Pabst Martins na Choque Cultural

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    Em “Arabesque”, artista apresenta série de trabalhos inéditos

    A galeria Choque Cultural inaugura neste sábado, 10 de maio, a partir das 11h, a mostra “Arabesque”, nova exposição individual de Mariana Pabst Martins, artista e fundadora da Choque Cultural. A exposição dá as boas-vindas ao público, depois de um período de reforma no espaço da galeria.

    “Arabesque” apresenta uma série de trabalhos inéditos, produzidos nos últimos meses pela artista. A série reforça elementos sempre presentes na sua pesquisa: a caligrafia e a colagem. Mas traz resultados de experiências com novos materiais e processos. A resina que era usada apenas como cobertura e liga entre as camadas dos trabalhos, agora é explorada como estrutura, gerando blocos transparentes com incrustação de outros materiais. Mariana está preparando para a exposição, uma grande intervenção na fachada, espelhando em escala urbana, seu processo de trabalho com colagem.

    Numa visão poética, “Arabesque” é resultado de um intenso diálogo entre letra e fundo. A caligrafia é o gesto assinado, o movimento das mãos da artista impressionando a superfície formada por folhas de ouro, retalhos de jornais orientais, velhas embalagens, pedaços de lata de óleo e outros objetos. Cada fundo tem sua própria história, colagens e reminiscências sobrepostas em camadas envidraçadas pela resina transparente. A irregularidade ilusória da superfície de fundo faz parecer que as letras desenhadas flutuam, mas ao mesmo tempo, transparências e opacidades se alternam e criam diálogos intensos entre as camadas. O brilho do ouro e o preto fosco da tinta se apresentam em todas as formas de relacionamento e confronto.

    Nas cinco peças transparentes, a sutileza do diálogo fica evidente, quando a artista insere folhas de papel japonês feito à mão, com desenhos vasados e “marcas d’água”. Os papeis por vezes quase desaparecem, incrustados nos blocos de resina deixando delicadas texturas nuançadas sobre as quais a artista sobrepõe a caligrafia delicadamente.

    É importante lembrar que tanto a caligrafia, como a colagem são plataformas que a artista explora já desde meados dos anos setenta. A origem da linguagem desenvolvida pela artista foi a desconstrução da mítica do diploma, que, para Mariana, é um modo anacrônico de assegurar o conhecimento. O desmonte se inicia quando a artista decide escrever numa língua imaginária, textos que poderiam ser góticos, árabes ou de alguma civilização oriental esquecida. Nada pode ser lido, restando apenas a estética caligráfica. O desmonte continua quando a artista transforma a tradicional eloquência dos carimbos, assinaturas, lacres e timbres dos diplomas numa construção completamente desprovida de outra narrativa que não a da própria obra. Então, o diploma apresentado pela artista, não transfere mais sabedoria a ninguém, nos deixando apenas o sabor estético da mistura e realce dos seus elementos originais.