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  • AgendaSolar da Marquesa exibe retratos do fotógrafo boliviano Júlio Cordero

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    Mostra inédita no Brasil revisita os costumes da capital La Paz desde 1900 até 1961 a partir da seleção de 70 fotografias do Estúdio Júlio Cordero. Curadoria de Miguel López-Pelegrin.

    Abertura no dia 24 de maio. Entrada gratuita

    Júlio Cordero. ¿Acaso teníamos pasado?

    Júlio Cordero. ¿Acaso teníamos pasado? 1920/30

    O Museu da Cidade-Solar da Marquesa de Santos exibe de 24 de maio a 19 de julho de 2014, a mostra inédita no Brasil “Archivo Cordero”. Curada pelo espanhol Miguel López-Pelegrin, a mostra reúne 70 fotografias de época realizadas pelo Estúdio Cordero e descreve a sociedade e o cotidiano boliviano na primeira metade do século passado.

    A diversidade da produção do estúdio fotográfico que funcionou em La Paz entre 1900 a 1961 é observada nas fotografias da mostra. São apresentados retratos de diferentes grupos sociais, executados no interior do estúdio, e, também, cenas externas que registraram atividades de comércio, festas populares, prostitutas, presídios e até mesmo funerais. As fotografias originais pertencem à  coleção de Rafael Doctor Concero.

    “Com essas poucas cenas fotográfica é fácil se fazer uma ideia da sociedade boliviana do princípio do século XX e observar as contradições nas quais se encontra encravada. Bolívia é um país no qual de uma forma contrastada convivem duas culturas radicalmente diferentes: a ocidentalizada, proveniente de sua herança europeia com valores centrados no cristianismo e no capitalismo, e a multicultural indígena com sua comum Pachamama, que como em nenhum outro lugar do continente americano segue presente e luta por não sucumbir ante a esmagadora força da economia globalizadora”, escreve o curador López-Pelegrín.

    Estúdio Cordero

    Fundado por Júlio Cordero (Pucarani, 1897 – La Paz, 1961), o Estúdio Cordero foi o mais importante estúdio fotográfico da capital boliviana durante primeira metade do século XX. Cordero trabalhara como assistente dos conhecidos irmãos Valdéz até criar seu próprio estúdio, em 1898, para o qual recebia encomendas dos mais diferentes tipos de fotografia com ênfase retratos de família, grupos campestres, interiores de fábrica e igrejas. Além da vasta clientela que abarcava desde a elite local, políticos até a classe trabalhadora, o Estúdio também fazia registros para Polícia Boliviana e oferecia variados materiais fotográficos de empresas norte-americanas e européias, o que concorria sua estabilidade financeira.

    Realização: Plan B, Museu da Cidade e Prefeitura Municipal de São Paulo

    Apoio: Iber-rutas e Secretaría General Ibero-Americana

     

    CEP 01017-020 – Sé – São Paulo, SP

    Telefone: (11) 3241 1081

    http://www.museudacidade.sp.gov.br/solardamarquesadesantos.php

    Texto de Miguel López Pelegrín

    ARCHIVO CORDERO

    Esta exposição visa dar conhecimento da relevância do trabalho de Don Julio Cordero na primeira parte do século XX, na cidade de La Paz, a capital da tão desconhecida e apaixonante Bolívia. Através desta seleção de pequenas cópias de época se pode chegar a estabelecer um primeiro contato, com o que no futuro será, um dos referenciais essenciais para compreender o transcorrer da imagem fotográfica no continente latino-americano. O estúdio deste grande fotógrafo urge tanto por suas colaborações estéticas como por ser conteúdo documental.

    Possivelmente agora chegou o momento de reformular de uma vez por todas a verdadeira história da fotografia latino-americana e haveria de partir do entendimento da diversidade como o elemento principal e a integração das áreas periféricas como essenciais. Como é possível que existam tantas histórias da fotografia latino-americana e em todas elas se ignore integramente aos fotógrafos bolivianos? Esta laguna não se produz por ausência, mas por desconhecimento da obra dos fotógrafos que historicamente vem trabalhando nas principais cidades da Bolívia. A história da fotografia latino-americana que neste momento conhecemos se baseia em poucos pilares e não chega a explorar a diversidade de projetos das complexas sociedades que vem abrigando durante o último século e meio.

    Esta exposição é uma pequena aproximação ao mundo imenso e complexo de imagens que existem escondidas ainda no “Archivo Cordero” de La Paz, que neste momento se encontram em fase de estudos. Se abre uma porta próxima a história de um país belo e riquíssimo em valores humanos; um país que se encontra constantemente buscando um lugar possível em um mundo competitivo e devastador ao que não parece pertencer.

    Bolívia, como tantos outros países que estão lá mais incluso no  terceiro mundo que nós, se abre até um novo século com os mesmos problemas endemicos com os que abandonaram o anterior, mas com a esperança de encontrar espaço em que podem viver e se desenvolver com a dignidade que merecem todos os povos.

    Através destes retratos, da firmeza e temperança com as que tantas pessoas posam diante da câmara de Don Julio Cordero, se pode realizar um percurso por uma etapa da história cotidiana do passado deste povo. Casais de namorados, famílias completas, colégios, casamentos, reuniões familiares, celebrações campestres, documentos policiais, registros militares, mas antes de tudo, rostos que olham, em muitos casos pela primeira vez, uma câmera que vai mostrar um futuro que para o qual eles sempre serão passado.

    Com essas poucas cenas fotográficas é fácil se fazer uma ideia da sociedade boliviana do princípio do século XX e observar as contradições nas quais se encontra encravada. Bolívia é um país no qual de uma forma contrastada convivem duas culturas radicalmente diferentes: a ocidentalizada, proveniente de sua herança europeia com valores centrados no cristianismo e no capitalismo, e a multicultural indígena com sua comum Pachamana, que como em nenhum outro lugar do continente americano segue presente e luta por não sucumbir ante a esmagadora força da economia globalizadora.

    Esta exposição está dedicada a todos os que fazem de seus sonhos, um lugar na luta de cada dia e, sobretudo, àqueles que são capazes de projetar horizontes ante evidentes muros

    MIGUEL LÓPEZ PELEGRÍN