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  • AgendaThe New International – 06 artistas da Galeria Christinger de Maio, Suíça na Galeria Pilar

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    Quando Myrrha Dagmar Dub nasceu em Zurique, em 1919, nada em sua educação sugeriria que ela estudaria filosofia em Milão ou que morreria em 1988 em São Paulo com o nome de Mira Schendel. Sua história de vida errante (ela também morou em Sarajevo e Roma), tão típica do século 20, é só uma pequena peça do mosaico que retrata as relações entre a Suíça e o Brasil.

    Começando com os 5 volumes de Johann Jakob von Tschudi (1818-1889) sobre o Brasil, a Suíça se apaixonou pela ideia do Brasil e os primeiros emigrantes partiram em massa no final do século 19. O auge da história de amor foi após a II Guerra Mundial, com um agudo interesse artístico de ambos os lados por tudo o que fosse concreto e construtivista, que terminou quando os militares tomaram o poder em 1964.

    As certezas do século 20 desapareceram. Como a primeira década do século 21 mostrou, preferimos a dúvida, a ironia e uma inteligência distanciada. À luz das tragédias mundiais que o século passado produziu, esse pode ser não só um desenvolvimento natural, mas uma virada para melhor.

    A nostalgia reina, como percebemos, e, como consequência, perdemos nossa capacidade de sonhar coletivamente. Os sonhos coletivos dos jovens nos anos 1920 eram dirigidos e compartilhados entre a Suíça, o Brasil, a Inglaterra e o Chile (por exemplo).

    Embora lamentemos esses fatos, vemos que artistas em todos os lugares estão criando uma nova prática. É impactante que depois de pressionar por uma nova revolução (e fracassar gloriosamente), desconstruir tudo ao alcance e, por fim, ironizar o consumo como nossa força motriz, os artistas estejam reexaminando as possibilidades perdidas e as promessas não cumpridas que surgiram nos anos 1920 e continuaram até bem avançado o século 20.

    Não por nostalgia, não; talvez por um desejo de entender, adaptar e encontrar um ponto de vista preciso com o qual enfrentar nossas incertezas globais. A prática da arte baseada na pesquisa não é nenhuma novidade, mas o foco mudou, já que a informação pura se tornou disponível num clique, o que a faz internacional muito depressa.

    O “intercâmbio de galerias”entre a Christinger De Mayo (Zurique, Suíça) e a Pilar (São Paulo, Brasil) se baseia nessas premissas. Tentando construir uma ponte, nós não só mostramos partidos artísticos de uma galeria no espaço da outra, mas investigamos as possíveis interconexões entre elas.

    Brasil e Suíça são países muito diferentes, e mesmo assim parece haver muitas linhas na história e na cultura sendo reexaminadas por artistas nos dois ambientes. A influência e o legado de Mira Schendel (como um ponto focal) podem ser sentidos em ambos os lados do oceano.

    A obra de Justin Hibbs (*1971, Inglaterra) é uma investigação sobre a natureza da percepção espacial e sua representação em duas e em três dimensões. Ela se inspira no rico patrimônio de informações invisíveis codificado em estruturas arquitetônicas como agendas sociais, políticas ou estéticas. Com um senso de percepção em constante mudança, o trabalho opera no espaço intersticial (ou espaço entre uma coisa e outra), buscando estabelecer relações entre as noções reais e idealizadas de espaço.

    Justin Hibbs, 2013, Breach.Vinyl adhesive and spray paint on dilite. 206x239cm

    Justin Hibbs, 2013, Breach.Vinyl adhesive and spray paint on dilite. 206x239cm

    As esculturas de feltro de Johanna Unzueta (*1974, Chile) se inspiram em conceitos históricos de arte encontrados nas propriedades quase mágicas de materiais para transformação e em sua história familiar, em que fazer coisas com as mãos e com tempo era uma espécie de desafio a eventos da história chilena que foram profundamente inquietantes.

    Felipe Mujica (*1974, Chile) está repensando as diferentes metodologias do modernismo e propondo novas ideias para concluir um movimento que não foi capaz de cumprir suas promessas.

    Felipe Mijica, New Music Media n.2 in Tsumagoi,1976-2011-c

    Felipe Mijica, New Music Media n.2 in Tsumagoi,1976-2011-c

    A prática de Monica Usrina Jäger (*1974, Suíça) se centra na acumulação de formas e estruturas criadas pelo processo de desenhos em camadas, em que múltiplas linguagens, como a diagramática, o plano arquitetônico, abstração e representação colidem para confundir as relações espaciais.

    Clare Goodwin (*1973, Inglaterra) se mudou há um bom tempo para a Suíça, onde continua sua prática artística. Suas pinturas e instalações têm como fonte uma rica tradição suíça e latino-americana de construtivismo, mas se inspiram em amigos, suas vidas e seus sonhos, e não por ideias de mudança social e revolução de classes. Suas pinturas jogam sutilmente com aspectos femininos e masculinos e suas representações e clichês, subvertendo nossas ideias sobre o tema ao utilizar uma abordagem aparentemente abstrata.

    Michael Günzburger (*1974, Suíça) explora a natureza dos desenhos, utilizando-os como um ensaio, experimentando com diferentes níveis de materialização. Volume e espacialidade são criados pelo uso de diferentes papéis e camadas, desenhos de linhas e cores.