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  • Notícias[ESPECIAL ARTE HALL] Marta Jourdan apresenta sua obra para o Clube Hall na SP-ARTE/2014

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    Por Patrícia Kalil, Arte Hall Rio
    patricia.kalil@artehall.com.br

    Marta Jourdan, artista do quarto Clube Hall SP, apresentou na SP-Arte a obra que criou para o clube. A artista que já criou objetos para transformar água em vapor, líquido em sólido, capturou o tempo interior e daquilo que a gente não pode ver passar, desta vez aparece com um jogo de chá coberto por estanho. Em entrevista exclusiva, ela conta um pouco sobre o trabalho.

    Temos um jogo de chá coberto com estanho derretido. Conta pra gente a sua referência com o Chá de Alice? A mesa está posta!
    Marta Jourdan – O Chá da Alice é um delírio, uma brincadeira. Neste trabalho, as peças dão impressão de terem sido dispostas ao acaso, estão espalhadas e o estanho derramado sobre ela, como em um final de festa, uma farra deixada. No entanto, para este resultado existe um rigor, é uma construção criteriosa.

    Conta pra gente um pouco de como foi feito o objeto e como ele apareceu na sua frente?
    Vou agrupando objetos no ateliê, coisas que acho na rua, na casa de amigos, em feiras, nas férias… E construindo frases escultóricas, narrativas, como se escrevesse um texto com aqueles objetos. Em um determinado momento já é possível reconhecer o “desejo do trabalho” , ele aparece! E se encaminha ou para uma escultura de fato ou é um “pré-texto” para um filme, um desenho etc.

    Fotografia impressa em papel algodão, Insolita Matéria, Marta Jourdan (2012)

    Fotografia impressa em papel algodão, Súbita Matéria, Marta Jourdan (2012)

    O chapeleiro maluco, na obra de Lewis Carroll, diz que acha os loucos as melhores pessoas. Para você, qual a ligação entre arte e sonho, arte e o impossível?
    Marta Jourdan – Pensar os loucos como pessoas livres de censuras e isso é fundamental na arte . Mas é bom destinguir arte e loucura, a arte comunica. Um louco pode dizer coisas preciosas e profundas e neste momento estamos tendo uma ligação, um elo com aquilo. Quanto à esta conjunção entre arte e vida, trata-se da possibilidade de uma expansão das linguagens. De algum modo é a procura da liberdade em um outro território. É expandir as posssibilidades da vida. Quando falamos em arte e sonho existe uma propensão a fazermos uma associação imediata com os surrealistas e ai é bom lembrar que os surrealistas estavam em contato também com a poesia, literatura, filosofia e as investigações científicas de ponta, misturando um mundo real no imaginário para criar outras possibilidades de pensar e ver as coisa mundanas. Recolocar um outro mundo dentro do mundo me aproxima da arte!

    Zona de Lançamento, exposição na Galeria Laura Alvim, curadoria Fernando Cocchiarale (2012)

    Zona de Lançamento, exposição na Galeria Laura Alvim, curadoria Fernando Cocchiarale (2012). Projeção em uma das salas da exposição causava a ilusão de água que invade uma casa pelas paredes. A água surgia em pingos, escorria, dominava a parede seca aos poucos.

    Como o seu chá dialoga com suas invenções e máquinas?
    Marta Jourdan – O estanho surgiu no meu trabalho durante a trilogia dos estados da matéria, quando fiz as evaporações. Estava à procura de meios para solidificar o estado líquido. Fui ao departamento de química da PUC para uma orientação sobre metais com baixo ponto de fusão e com possibilidades escultóricas. Foi lá que descobri o estanho puro. É um metal lindo que, como a água, entrou no meu trabalho.

    Fotografia impressa em papel algodão, Súbita Matéria, Marta Jourdan (2012)

    Fotografia impressa em papel algodão, Súbita Matéria, Marta Jourdan (2012)

    Para quem está começando a olhar arte com outros olhos, qual seria sua dica como artista.
    Aproximar-se da arte com o olhar tranquilo, como uma criança, por exemplo, vê uma coisa nova… Com com o coração!

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