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    voltar a lista de entrevistas24/03

    Por Patrícia Kalil, Arte Hall RioMalu Saddi_Lucidez, 2013, fotografia, 60x173cm

    A artista paulista Malu Saddi vai lançar um livro este ano e, ainda, no próximo mês, abre a individual “Cantantes Condutores” no Rio de Janeiro. Em 2011, ela já mostrou seu trabalho no Rio em exposição no Espaço Sergio Porto com curadoria de Noéli Ramme ao lado de Pedro Varela, Carol Ponte e Daniela Antonielle. Em bate-papo, Malu falou sobre seu universo, o equilíbrio e a origem dos cones.

    Para começar, conte um pouco sobre o que vai apresentar na exposição?
    Malu – Vou mostrar uma série de desenhos, uma pintura grande -que é um díptico-, uma fotografia, uma escultura e um vídeo. Quando pensei na exposição, quis trazer o universo da pintura e do desenho para o espaço físico da galeria: a pintura que dialoga com a escultura, com algum elemento na instalação que vai se fundir com a parte monocromática da pintura. Outro objeto instalado vai ter uma relação com um desenho. A exposição é um convite para andar dentro do desenho.

    Da série para que eu me recorde dos segredos do equilíbrio, 2014, lápis de cor sobre papel, 60x60cm

    Da série para que eu me recorde dos segredos do equilíbrio, 2014, lápis de cor sobre papel, 60x60cm

    A ideia de equilibrar objetos está em todos os seus trabalhos. Ao equilibrá-los em finas linhas, tem-se a sensação que a qualquer momento será desencadeada uma reação em cadeia, como uma máquina de Rube Goldberg…
    Malu –  O equilíbrio é algo que me interessa é uma busca constante em meu trabalho. Eu paro muito para olhar o desenho, porque não existe um projeto prévio, se auto projeta, se auto equilibra como um processo de reconhecimento das necessidades do própio desenho em construção. A série de desenhos se chama “Para que eu me Recorde dos Segredos do Equilíbrio”. Como uma esfera enorme estaria equilibrada por uma linha?. Existem relações de possíveis encaixes, improváveis encontros e uma uma silênciosa sonoridade que sugere essa reação em cadeia.

    O seu díptico, “O primeiro evento de qualquer série”, fala desse desencadeamento possível…
    Malu – Tem uma situação de caos, parece sempre que algo está por acontecer, que nada está dado como pronto, não é uma organização   centralizada. Não há uma imagem conclusiva, é um instante: a imagem chegou aqui, mas vai para algum lugar, é a magia daquilo que nos escapa.

    Quase que podemos ver “esqueletos de desenhos”… São imagens que nascem de um universo de sonhos?
    Malu – Vejo o sonho como o puro inconsciente, já a fábula é o universo do meu trabalho, é uma coluna vertebral que se liga a uma esfera, um pássaro que carrega um osso. Achei interessante essa sua idéia de “esqueleto do desenho”, no campo do que pode vir a ser, existem emaranhados de linhas que sem dúvida poderiam estar envoltos por outra imagem.

    A figura de cones e círculos é recorrente em todos as obras. De onde vem esse cone?
    Malu – Em um primeiro momento, o cone surgiu com a história do círculo que dobrado várias vezes forma um cone. Isto estará presente no vídeo. Depois, durante o processo, tive contato com a teoria do cone de Henri Bergson e fiquei fascinada. Na fotografia, que estou olhando para dentro de um cone, como se ele estivesse me levando a algo: um cone condutor para a memória-mundo.

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    “Cantantes Condutores”, de Malu Saddi
    Abertura: 9 de abril
    Onde: RJ | Artur Fidalgo galeria | Rua Siqueira Campos, 143, 2º andar – 147-150, Copacabana